sexta-feira, 31 de julho de 2015

8º ROCK DE CALÇADA “Você é que faz a revolução!”

ROCK DE CALÇADA
Você é que faz a revolução!”
Atividades:
 
Paranjana Literário
(estamos recebemos doações de livros)
Mágicas com Pierrot Almeida
Varal da Poeticagem e Sarau Baculejo Poético
(palco aberto para intervenções)
Roda de Conversa – O que queremos?
(com: Viene Ferreira, Thais Gomes e Laura Virginia.)
Bandas: 
 
INSULTO - DECADENCE
RODNES - BRINQUE REVEL
CÓDIGO DE CONDUTA
MACACOS DEAD PUNKS
WINEHEAD
Local: Praça da Escola Joaquim Nogueira
Rua Padre Perdigão Sampaio – Antônio Bezerra
Próximo ao sinal da Av.Mister Hull, perto da Rodoviária. 
15 de AGOSTO – 16 HORAS
Acesso Livre – Espaço Aberto
Realização:
OCUPA - Organização Comunal Unificada Popular Anarquista

contatos: 98887-2425
facebook.com/ocupa

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

AFOXÉ OXUM ODOLÁ

ensaios abertos do afoxé oxum odolá,todos os domingos no parque da liberdade,conhecido como "cidade das crianças,ás 15 e 30 e segundos sábados do mês no passeio público,esperamso vcs!

o poeta da medicridade,a mediocridade do poeta

(Vende-se)



Um triste olhar

Desses...



Que nem criança pedindo esmola

Na rua.

No ônibus.

Que nem ônibus lotado

Que nem segunda-feira.



Como o dia em que o seu time perdeu o jogo

Ou sua mãe

Seu pai, sua mulher,

Seu filho ou sei lá quem morreu.



Um triste, triste, triste olhar

Desses...



De miseráveis da vida

Que todos somos.



De miseráveis na vida

Que todos estamos



De miseráveis com a vida

Que todos...

Que todos...

Os dias e mais dias suportamos

Que nem cristo

Na cruz

Que nem cristo

Sendo beijado

Que nem cristo, deturpado por Paulo

Por tu cara pálida

Um triste mil vezes e um triste olhar

E ponto final











Até o ano que vem meu bem...



Meu bem

Olhe só quantas situações complicadas nós vemos

Vivemos, observamos e outras

Tantas

Que nem se quer sabemos

Ou que nem queremos saber

Pra que?

Um cara diz que não há nada

Não há nada a fazer

Sofrer?

Ou jogar de bola um pouco

Suportar!

Beber uma pinga

Escutar um som – Caetano, Gal, Bethânia, Gil. Chico, novos baianos (los hermanos)

Tentar se “livrar” numa ginga

Quebrar a (uma) cara

Ficar chorando, que nada ou que tudo

Mais ou menos

E a gente tá nessa, mesmo assim...

Meu bem

Só há algo a dizer

Até o ano que vem

Te espero.

E olhe quantos sorrisos podem ser

Essa nossa cabeça

Legal...

Se tudo tá ruim

Vamos fazer um bom

Que a barra é toda hora























Se...



Não há nada

Não há nada a dizer

Se as palavras

As palavras

Não falam mais

Não significam o nosso querer

Esse desejo por um beijo

Que tenho

(perturbado)

Ouçam com atenção

Sou de um e do outro lado

Sou de cima e sou de baixo

(perturbado)

E vosso amor se acabou

E vossa paz se quer começou

Aquela voz amiga

Enxerida

Fofoqueira

Te disse o que?

(perturbado)

Não há

Não há o que saber

Se as navalhas

As navalhas

Não cortam, mas

Ferem como os dentes

E isso é só pra você

Essa dor

Esse apelo

Essa angustia

Esse cabelo

Essa rima, vixe!

(perturbado)

Façam uma limpeza nas suas cabeças

Encham o estomago – a barriga

Corta essa!

Saia fora...

Enquanto o tempo

Não te viu escondido

(perturbado)

Esse é o titulo

Letras bem grandes

E se é poesia

Ou cagada.

Que seja

(vômito)

Estou num desespero, já passou

Tô explodindo!

Perdi o meu atestado de mediocridade

Você viu?

Rasguei minha identidade

Enfiei no... Do primeiro filho da...que veio

Com uma conversa de “tudo vai bem, tudo legal,

O mundo é assim... “É tudo normal”

Sou poeta, se for pra ser

Mas aviso logo

Sou poeta por raiva

Assim descarrego-me

(perturbado)



Tantos beijos nessa noite...



Quero

Te olhar e te querer

Quebrar a TV

Não vê nunca mais a globo

Que faz

O povo

De burro mais burro á bobo

De surdo, cego, acomodado á oco

Sem voz

Sem mãos

Sem paz

Sem gosto

E o gosto, que gosto?



Quero

Te olhar e querer

Beijar, beijar, beijar

A tua boca

Não temos mais TV

Vamos fazer o que?

Sorrir

Cantar

Dançar

Não há mais globo

Só eu e você

E a noite



Tá tudo bonito...

(o que é feio não quero)...



Pessoa,

Deixe-me passar

Lá vai o doido

Caminhando



Eu tenho que acompanhar

Pois é, pessoa

Esqueci que tu

Tá fazendo teu trabalho

Feito roupa engomada

Vestir a beleza

Pra que ninguém a veja



Ficar na porta de entrada

Pro doido não entrar

Ficar na porta de saída

Pra beleza não sair



Não se preocupe pessoa

De você já conheço tudo

Nada espero

Mas, o que é feio não

O que é feio não quero.

























Porque você não me beija.



Se me deseja

Seja um pouquinho legal comigo

Quero ser seu aeroporto

Quero ser seu abrigo



Se me quer

Ouça um som antigo

Pinte seu rosto

Vá andando pela cidade

Eu te sigo

Mas, não

Mas, não pare no sinal

Vermelho



Não, não

Não corte meu cabelo

Mas, não tome toda

Minha bebida

Não, não

Não pense que é proibida



Se me deixar

Esqueça os dias de agito

Do meu beijo, o gosto

Dos meus olhos, os olhares

Da minha voz, as palavras

Do meu jeito estranho-esquisito.



Mas, leve

Pode levar com você

O grito (ou não)











O JOGO

O jogo só começou

NÃO FAZ MUITO TEMPO

NÃO NEGO QUE CHORO

SÓ NÃO ME ARREPENDO



EU SOU UM

EU NÃO, DOIS

UM VOCÊ

SOU UM

E ISSO NÃO FAZ TEMER

POR ISSO NÃO QUERO ESCONDER

AS MINHAS DIFERENÇAS

PRA QUE POUPAR ESFORÇOS

SE O QUE ESTÁ NÃO...

SE VÃO QUEBRAR MEUS OSSOS

E ROUBAR MEU CORAÇÃO



O JOGO JÁ COMEÇOU

O TEMPO ESTÁ PASSANDO

AS PESSOAS ESTÃO ME OLHANDO

E EU NÃO QUERO PASSAR

COMO UMA ESTRELA

COMO UM CIGARRO

E EU NÃO VOU ME CANSAR

POR BESTEIRA

EU QUERO OUVIR ESSA VOZ

E OS TEUS OLHOS

E EU VOU

PRA QUE DISFARÇAR

AMOR, NÃO SE ILUDE!

ESTOU TE ESPERANDO NOS SONHOS

O JOGO NÃO TERMINOU

POR FAVOR, LUTE









(liberdade)

este pousar eterno



flores nas mãos do homem capital

padecem como princesas na torre

prisioneiras...

prisioneiras...

arrancadas a enxadas pelos seus dominantes

dos campos dos jardins da natureza

flores nas mãos do homem capital

forçam um riso

pintam o rosto demais

para serem os clows da beleza

instituída!

instituída!

cortai as mãos do homem capital

amarrem estas mãos com a palavra



(liberdade)









menina da pele bonita



Fez-me lamber tua pele

Fez-me beijar tua boca

Te fiz ter desejo

Te fiz não ter juízo

Ainda quando estava louca



Teu olho fez-me perder

Dentro deles me agarrou

Te trouxe a vida com um beijo

Na minha saliva deslizo

Vida ainda muito pouca



Teu seio fez-me desvanecer

Tua língua me deu amor

(Menina da pele bonita)



“doce menina

te embalo nos meus lábios antes

de qualquer lembrança

um cheiro excitante de sua pele

calo-me,deito nessa visão

me acabo com a morte

sem teus lábios a vida me fere”





















adeus,adeus



falo ás paredes

imóveis e caladas

tão suspeitas.

tão suspeitas.

para que não haja paredes desumanas

viva ao derrubador dessas paredes

a chuva o sol e o vento

a chuva o sol e o vento

tão caretas

tão caretas





era dia



se pôs em mim o sol

carente e penetrante

lâminas quase invisíveis

perpassam meu corpo



teus olhos são quentes

mulher branca de sol

pedem um lugar para si



-“não espero viver mais que esse dia

que este é o qual me entrego toda

e daqui para frente estarei em ti”



suas palavras eram calorosas

ardiam na minha pele



era dia

a noite chegou

e você se foi

fria e morta

como a madrugada

declaro vida aos túmulos dos faraós



o tempo escondido

desdobrado pelas mãos

aquece o fogo encabulado

essas lamparinas que sujam as paredes dessas casas de alvenaria

é o fogo o usurpador das noites

balançado ao vento suspeito

estão mortos todos os mortos

estão mortos todos os mortos

em cima das macas nos hospitais

corações corações corações já não batem

jaz o fogo o encantador que nem serpente



flauta – tocador de flauta

astronauta da escuridão



olhos semi-cegos querendo enxergar

um finco de luz

um finco de luz

se não há

manda o fogo derreter a vela

para que se apague a vida

manda o fogo derreter a vela

para que se apague a vida

mãos geladas não mais esquentarão

a mão dos colegas mãos geladas de pessoas apagadas

mando o clarão da noite clarear o tempo – não se esconda nas mãos.













Fim dos tempos



Quede a morte decretada nos códigos penais

Sorriso do diabo/gargalhada de deus

Soltem-se os anjos assassinos com suas...

Espadas/canetas que assinam a sentença

Martelos que batem – transitados em julgado!



Como proceder com a morte

Onde ela está, arquivada em processos?

Mal-amada em leis, normas...



Amaldiçoados perdões e perdoados

Putas eleições, urnas eletrônicas da vontade. (Indireta )

- representações!



Quem indica é o Q.I

Trabalho e emprego insuportável

É só a morte, só a morte sobreviverá

Ao apocalipse – fim dos tempos!

Quede a morte, e-mails, meios de comunicação

Decretada nos artigos dos códigos penais

Sorriso/gargalhada do diabo/de deus



















g



Apago teus olhos

Beijo-te profundamente numa promessa

vou atando tua língua

quero que me peça

muitos sonhos



Dou-te

Beijo-te



apago teus olhos

larga um sorriso

você é tão bonita

teu cheiro me provoca

teu gemido é um aviso

apago teus olhos



Beijo-te ,te beijo

Dou-te sou teu



Santa benção



Aonde foram os poetas

Com suas mãos milagrosas

Seus versos

Suas prosas - Aonde foram...



Os poetas com seus

Olhares iluminados

Seus poemas de vida

Suas poesias...



Os poetas aonde foram

Assim como as gentes

(que não lêem)

desapareceram – Graças a Santa Benção Capi(e)talista

amém!





Quis



Quis quanto de ti

Quando te quis

Quanto te quis

Quis tanto de ti

Tanto te quis

(quis dias, quis em dias)

Á noite quis

Á beira quis

Quis começo

Não quis

(fim)





Sem levar



Sem levar um toque da tua boca

Numa noite bonita lá fora de lua

Sem levar...

-Um olhar!

Derradeiro pra saber

Que eu sou primeiro

Te despir da roupa sua

(sem levar)

- Tuas mãos ou pés,teus seios ou voz

Sem levar ela rouca

Sem levar eles rijos

Sem levar,sem levar...













Morena



Não sei se vale a pena

Tanto amor por ti

Assim sem fim

Sem nunca mais

Morena



Na minha boca

Eu te tenho

E te dou meu coração

Pra que eu não sofra

(não)



Até você voltar

E até lá

Morena...



Não sei se vale

A pena tanta

Saudade por ti



Pra mim

É ruim

Viver sem ti

É sem paz

(Morena)















P ?



Pássaro

?

tens asas,voa!

Tens bico,canta!

Tens casa,vida,saúde...

Boa,pássaro!

-Asas,bico,casa!

És pássaro,viva!

Pássaro

?

voa?canta?

vida...saúde...

pás-sa-ro

-assim,separam-se

as silabas

e fica-se separado!





Paisagem natural



Sobra da genialidade humana

Favela

Pouco quase, nada tanto

Sobra da genialidade humana

Arma – pouco nada, tanto quase



Sobra da genialidade humana

Homem – quase nada, tanto pouco

Obra da genialidade humana

Bomba – buummm!

- fim!







Moços e moças (entre) moças e moços



Quantos moços no viver

E tantas moças

Se mesmo antes de nascer

Vida nem mesmo tem...



Então moços e moças não

Então moços e moças são

Ainda mesmo nem...



Quantos moços fez crescer

E tantas moças

Mas mesmo pouco de querer

Vida nem pouco vêm...



Então moços e moças dão

Então moços e moças tão (ainda mesmo assim)

Moços e moças de vida





Estrela-papel



Luz que pesa

Bolsos furados

Procuram...

Estrelas desejos incontidos

- Tic! Tic!

A máquina registra

Estrelas trocadas

Por tentativas de preencher

-Vidas vazias...

estrelas frágeis

Vingança de quem um dia foi...

estrela!









Deitar o peito cansado sobre os teus seios bonitos



Como você nas madrugadas

O frio quebra os ossos

(me encolho_)



Não percebo que o vento

Esse estúpido sopro

Há de espantar os medos nossos

Que colho (toda noite a dormir)



Esses fantasmas da agonia

Que vem aos sonhos

Abraço a escuridão que há

De me trazer o dia

Para abrir os olhos

Deitar o peito cansado

Sobre os teus seios bonitos



Passar a língua nos teus

Subir as montanhas lá

Os céus infinitos

Adeus!























Poeta vagabundo



O poeta apontou o dedo contra a lua

Cuspiu e gritou

Não tenha medo

Desça daí,fique nua

Me dê todo seu amor



Que sou poeta

Que sou louco

E estou pronto para amar



“Sou poeta vagabundo

Poeta que trabalha

Poeta que acredita

E contesta e quer

E estou pronto para amar “



O poeta fechou os olhos

Sentiu dentro dele

Um sentimento imenso

Ousou e tirou a roupa

Beijou, beijou

Falou o que sentia

Ouviu palavras ao ouvido



O poeta tremia, o poeta gemia, o poeta se calou por uns momentos...



Fez amor

Fez amor



Quando abriu os olhos

Lá estava a lua

Lá em cima



O poeta levou as mãos á cabeça

O poeta disse... - poeta é humano, poeta é bicho!



Aspirações sob audição do cordel do fogo encantado



Apara a água com a lata

Apara a lágrima

Que ela vai cair de cima

Descer correndo raivosa/sofrida



Apara a água com a mão

Enxuga o céu tremoso

O rosto calejado

Pois lampião tá chegando

Junto com seus cangaceiros

Mais de um milhão

De coronéis estão lamentando

Tanto maltratar os roceiros



Apara a água com a boca

Fecha o olho se não quer ver

Hoje o céu está disposto



Os trovões rasgam o infinito



Apara a água

Apara a água

Apara a água

Apara a água.







Quadro na parede



Lembro de amanhã

Como são as flores como são as pessoas

Muitos com pouco

Lembro de amanhã

São as flores são as pessoas

Lá estará os poemas lá estará os poetas

Estas são suas mãos

Estas são suas ferramentas

E o poeta não vive e o poeta não morre

As pessoas lá as flores lá

Este é um quadro na parede



Vou



Ardo pavorosamente com as palavras

Sujo as mãos comidas por rastejantes

Cordas delicadas estampadas com toques

Sensíveis de sangue



Vou me cobrir

Com as vestes universais

Da natureza

Um corpo perfeito encaixar-se-á

Como uma chuva

Um sol-céu

Descoberto de edifícios



Artifícios que lamentarão



Vou me enxugar com os suspiros

Papiros silenciosos indecifráveis

Canais interrogáveis jaz pax

Eterna a vir



“aspiração – levo um instante a soltar os pulmões

corram

surjam novamente vivos

ou mais vivos

prepara-te a cannabis

o caos da cidade

os cães da cidade

os automóveis da cidade

as chaminés da cidade

querem matar-te

inspiração .”



“Corta a tua boca

torná-la oca com um beijo

suprir toda a respiração

cessar seja por alguns instantes

cada circulação da gota

de teu sangue



Te aprisionar num mangue

colar tua língua

como uma prisão ao preso”







É



É,teu corpo

Me olha como alimento

Sustento

Para suportar mais um dia

É,teu corpo é corpo

A boca me molha

Me descobre como um invento

Tua mão em mim bóia

Me pega em prende me quer

Teu corpo

Infinitamente é

Razões existencialistas de argumento

De uma dose,mais um pouco

Efeitos lúdicos da noia

Teu corpo é

Carros engarrafados num cruzamento

Lendas chinesas ou cavalo de tróia

É tudo e unicamente o que se sacia

Corpo corpo corpo

(é teu)





Estado de poeta



Cuspiu no chão

Sentiu como amarga estava a boca

E,cuspiu,cuspiu,cuspiu

Pôs um icekiss

Não gostou e cuspiu

Lembrou que era tarde

9 ou 10 da manhã

Mais era tarde

Perguntou a hora

Aproveitou para ler um trecho da placa que dizia- “Aceitamos todo os cartões de crédito”

Quis ir até a loja

Lembrou do tempo

E o tempo...

Deu sinal pegou o ônibus que ia para o terminal

Sentou perto de uma garota

Ficou envergonhado

Tímido

Lembrou que era sexta...

Sexta?

O trânsito não estava lá essas coisas

O sinal fecha

A garota levanta

Olhou para um menino que vendia balas

Mas não comprou nada

Notou...

Deus sinal

Desceu do ônibus

E andado parou

Cuspiu no chão s

Sentiu como amarga estava a boca

E cuspiu,cuspiu,cuspiu, cuspiu...

Pôs um icekiss?

Lembrou...

Não gostou e cuspiu.



ao teia 2010

a cara

a cura



a mala

a cuia



a saia

a mula



a vala

a rua



a sala escura

a sala está cheia

de AR

de MAR



OÍ,que poesia é essa que me sai

poesia sinistra que por pouco não me cai



poesia feito gente

de trás e de frente

para onde é que ela vai



poesia que é minha vida

tão sincera,tão querida

que eu quero muito mais



é de chão é de pé

é de barro é de areia

do cimento as teias

que me fazem que me tão

de longe eles nunca vão

de perto eles nunca vem

e é no balanço do trem que o trem já se acaba...







e a morte não me cala

mesmo se eu estou qiuieto

e é melhor você fiacar certo

e se morra de tremer

e se cague de temer

o quão eu sou tão forte

pois eu sou é do norte

cabra bom e cabra mal

se me pede um real

eu te dou uma esmola

se me dá uma vergonha

eu te dou uma cachola





chora menino chora

que o poeta endoidou

que o poeta está doido

chora mais não vai embora

que o poeta nem chegou...e é só o começo!







*poesia feita no estágio "reconstruindo a liberdade"do 9ºsemestre do curso de direto,após maravilhosos dia de batucadas no teia tambores digitais 2010 em fortaleza,muito bom rapaz,muito bom menina!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

não estou disposto

NÃO ESTOU DISPOSTO



SABEMOS

E SE NÃO

COMO VAI SER

COMO SERÁ

SE AINDA NÃO É

PALAVRAS EM VÃO

PALAVRAS AO VENTO

PALAVRAS SEM FÉ

E NADA

OU QUASE NADA

SE AINDA PODE

DEVE

E NÃO

OU MAIS

OU O QUE

SE AINDA CHOVE

SE AINDA SOL

SE PALAVRAS SURGEM

SE NAVEGAM

COMO BARCOS

PELA IMENSIDÃO

TÃO PERDIDOS QUANTO NÓS

TÃO ENCAIXADOS

AO REAL

REALISMO SECO

DA BEBIDA QUE NÃO NOS LIVRA

DE ACORDAR CEDO

OU DE NÃO ACORDAR

DE NÃO SER CONCEBIDO

E SE EU TIVESSE BEBIDO

ESTARIA MAIS

ESTARIA O MESMO

E SE EU FOSSE EBRIO

SEMPRE

A REALIDADE ME SUFOCARIA MENOS

OU QUASE NADA

NADA OU ENTÃO

EU SUPORTARIA

ESSAS PALAVRAS

COMO UM BEIJO

OU UM SOCO

UM SUSPIRO

E MAIS UM COPO OU

DECLAMARIA PALAVRÕES

RASGARIA OS PADRÕES

ESCANCARIA OS PORTÕES

SUJARIA O CORPO

COM OUTRO CORPO

PRA SER LIMPO

DE NOVO OU

MAIS SUJO MAIS

MAIS

E FUJO

PELAS PaLAVRAS

NÃO

NÃO

NÃO

ESTOU DISPOSTO

POSTADO POR BLOG PROVOCAÇÕES! ÀS 13:41

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

estão por ai

caminhando indecisas

essas gentes

com suas cabeças cheias/vázias

com seus celulares tocando

é uma voz que chama

é uma voz

mas não importa

você esta atrasado

você precisa de dinheiro

e eles precisam de você

la vai ele

com as mãos limpas

de tanta agua

mas a sujeira não sai

o teu corpo se irrita

e então mais um comprimido

e então mais uma porrada na cara

mais uma vez deprimido

de que vale tanta parafernalia

de que vale o seu bom senso

se já está com os dias contados

o tempo passa

o tempo vai rapido

e ficamos perdidos

jogados de lado

como peças velhas e sem uso

nõa adianta

não dá

é um grande sufoco

e por pouco não desistiu de tudo

mais um lhe empura

mais um com a cara feia

eles também são amestrados

eles são mais que isso

caminham dando voltas

até um dia cansaram

ficarem tontos de vez e cairem

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

É SÓ MAIS UM POEMA...

AGORA



agora os olhos estavam cheios...

sujeira urbana

poeira da cidade

bagunça orquestrada pelas buzinas e rumores de uma expectativa no atraso

NÃO...

não somos mais nós os mesmos

nunca fomos

nunca

não sabemos quem somos

não nos reconhecemos

uma simples atitude

um gesto normal

caimos na real....



agora os olhos se perdem num vazio incrivel

absurdamente natural

essas pessoas que não queremos observar

esses olhos que não queremos ver

essa carne que não queremos tocar



certamente ....estamos perdidos em meio a tantas mercadorias



claramente o cartaz diz que é possivel se encher de quinquilharias



e assim,a felicidade vai bater a sua porta

e o fim,agora você descobre que não é mais pessoa...

sem identidade,sem pertecer

sem se conhecer

sem nada....MORTA

SE MORRE SE MATAMOS AOS POUCOS

SE apagamos,nos enganamos por pouco...

nem que fosse por muito

o melhor deve ser descobrir que não somos

e o que somos

e o que sentimos

e o que queremos

nada?



sexta-feira, 10 de outubro de 2008

saber

saber que

nada

é nada

não é saber

nem não saber

é saber

nem nada

saber

saber que

nada

nada´

é saber

nem saber

não é saber

não

nada

é saber

que

não

que nada

que saber

não

saber

é saber

nada

é nada

saber

que nada

saber

que

nada





























(Vende-se)



Um triste olhar

Desses...



Que nem criança pedindo esmola

Na rua.

No ônibus.

Que nem ônibus lotado

Que nem segunda-feira.



Como o dia em que o seu time perdeu o jogo

Ou sua mãe

Seu pai, sua mulher,

Seu filho ou sei lá quem morreu.



Um triste, triste, triste olhar

Desses...



De miseráveis da vida

Que todos somos.



De miseráveis na vida

Que todos estamos



De miseráveis com a vida

Que todos...

Que todos...

Os dias e mais dias suportamos

Que nem cristo

Na cruz

Que nem cristo

Sendo beijado

Que nem cristo, deturpado por Paulo

Por tu cara pálida

Um triste mil vezes e um triste olhar

E ponto final











Até o ano que vem meu bem...



Meu bem

Olhe só quantas situações complicadas nós vemos

Vivemos, observamos e outras

Tantas

Que nem se quer sabemos

Ou que nem queremos saber

Pra que?

Um cara diz que não há nada

Não há nada a fazer

Sofrer?

Ou jogar de bola um pouco

Suportar!

Beber uma pinga

Escutar um som – Caetano, Gal, Bethânia, Gil. Chico, novos baianos (los hermanos)

Tentar se “livrar” numa ginga

Quebrar a (uma) cara

Ficar chorando, que nada ou que tudo

Mais ou menos

E a gente tá nessa, mesmo assim...

Meu bem

Só há algo a dizer

Até o ano que vem

Te espero.

E olhe quantos sorrisos podem ser

Essa nossa cabeça

Legal...

Se tudo tá ruim

Vamos fazer um bom

Que a barra é toda hora























Se...



Não há nada

Não há nada a dizer

Se as palavras

As palavras

Não falam mais

Não significam o nosso querer

Esse desejo por um beijo

Que tenho

(perturbado)

Ouçam com atenção

Sou de um e do outro lado

Sou de cima e sou de baixo

(perturbado)

E vosso amor se acabou

E vossa paz se quer começou

Aquela voz amiga

Enxerida

Fofoqueira

Te disse o que?

(perturbado)

Não há

Não há o que saber

Se as navalhas

As navalhas

Não cortam, mas

Ferem como os dentes

E isso é só pra você

Essa dor

Esse apelo

Essa angustia

Esse cabelo

Essa rima, vixe!

(perturbado)

Façam uma limpeza nas suas cabeças

Encham o estomago – a barriga

Corta essa!

Saia fora...

Enquanto o tempo

Não te viu escondido

(perturbado)

Esse é o titulo

Letras bem grandes

E se é poesia

Ou cagada.

Que seja

(vômito)

Estou num desespero, já passou

Tô explodindo!

Perdi o meu atestado de mediocridade

Você viu?

Rasguei minha identidade

Enfiei no... Do primeiro filho da...que veio

Com uma conversa de “tudo vai bem, tudo legal,

O mundo é assim... “É tudo normal”

Sou poeta, se for pra ser

Mas aviso logo

Sou poeta por raiva

Assim descarrego-me

(perturbado)



Tantos beijos nessa noite...



Quero

Te olhar e te querer

Quebrar a TV

Não vê nunca mais a globo

Que faz

O povo

De burro mais burro á bobo

De surdo, cego, acomodado á oco

Sem voz

Sem mãos

Sem paz

Sem gosto

E o gosto, que gosto?



Quero

Te olhar e querer

Beijar, beijar, beijar

A tua boca

Não temos mais TV

Vamos fazer o que?

Sorrir

Cantar

Dançar

Não há mais globo

Só eu e você

E a noite



Tá tudo bonito...

(o que é feio não quero)...



Pessoa,

Deixe-me passar

Lá vai o doido

Caminhando



Eu tenho que acompanhar

Pois é, pessoa

Esqueci que tu

Tá fazendo teu trabalho

Feito roupa engomada

Vestir a beleza

Pra que ninguém a veja



Ficar na porta de entrada

Pro doido não entrar

Ficar na porta de saída

Pra beleza não sair



Não se preocupe pessoa

De você já conheço tudo

Nada espero

Mas, o que é feio não

O que é feio não quero.

























Porque você não me beija.



Se me deseja

Seja um pouquinho legal comigo

Quero ser seu aeroporto

Quero ser seu abrigo



Se me quer

Ouça um som antigo

Pinte seu rosto

Vá andando pela cidade

Eu te sigo

Mas, não

Mas, não pare no sinal

Vermelho



Não, não

Não corte meu cabelo

Mas, não tome toda

Minha bebida

Não, não

Não pense que é proibida



Se me deixar

Esqueça os dias de agito

Do meu beijo, o gosto

Dos meus olhos, os olhares

Da minha voz, as palavras

Do meu jeito estranho-esquisito.



Mas, leve

Pode levar com você

O grito (ou não)











O JOGO

O jogo só começou

NÃO FAZ MUITO TEMPO

NÃO NEGO QUE CHORO

SÓ NÃO ME ARREPENDO



EU SOU UM

EU NÃO, DOIS

UM VOCÊ

SOU UM

E ISSO NÃO FAZ TEMER

POR ISSO NÃO QUERO ESCONDER

AS MINHAS DIFERENÇAS

PRA QUE POUPAR ESFORÇOS

SE O QUE ESTÁ NÃO...

SE VÃO QUEBRAR MEUS OSSOS

E ROUBAR MEU CORAÇÃO



O JOGO JÁ COMEÇOU

O TEMPO ESTÁ PASSANDO

AS PESSOAS ESTÃO ME OLHANDO

E EU NÃO QUERO PASSAR

COMO UMA ESTRELA

COMO UM CIGARRO

E EU NÃO VOU ME CANSAR

POR BESTEIRA

EU QUERO OUVIR ESSA VOZ

E OS TEUS OLHOS

E EU VOU

PRA QUE DISFARÇAR

AMOR, NÃO SE ILUDE!

ESTOU TE ESPERANDO NOS SONHOS

O JOGO NÃO TERMINOU

POR FAVOR, LUTE









(liberdade)

este pousar eterno



flores nas mãos do homem capital

padecem como princesas na torre

prisioneiras...

prisioneiras...

arrancadas a enxadas pelos seus dominantes

dos campos dos jardins da natureza

flores nas mãos do homem capital

forçam um riso

pintam o rosto demais

para serem os clows da beleza

instituída!

instituída!

cortai as mãos do homem capital

amarrem estas mãos com a palavra



(liberdade)









menina da pele bonita



Fez-me lamber tua pele

Fez-me beijar tua boca

Te fiz ter desejo

Te fiz não ter juízo

Ainda quando estava louca



Teu olho fez-me perder

Dentro deles me agarrou

Te trouxe a vida com um beijo

Na minha saliva deslizo

Vida ainda muito pouca



Teu seio fez-me desvanecer

Tua língua me deu amor

(Menina da pele bonita)



“doce menina

te embalo nos meus lábios antes

de qualquer lembrança

um cheiro excitante de sua pele

calo-me,deito nessa visão

me acabo com a morte

sem teus lábios a vida me fere”





















adeus,adeus



falo ás paredes

imóveis e caladas

tão suspeitas.

tão suspeitas.

para que não haja paredes desumanas

viva ao derrubador dessas paredes

a chuva o sol e o vento

a chuva o sol e o vento

tão caretas

tão caretas





era dia



se pôs em mim o sol

carente e penetrante

lâminas quase invisíveis

perpassam meu corpo



teus olhos são quentes

mulher branca de sol

pedem um lugar para si



-“não espero viver mais que esse dia

que este é o qual me entrego toda

e daqui para frente estarei em ti”



suas palavras eram calorosas

ardiam na minha pele



era dia

a noite chegou

e você se foi

fria e morta

como a madrugada

declaro vida aos túmulos dos faraós



o tempo escondido

desdobrado pelas mãos

aquece o fogo encabulado

essas lamparinas que sujam as paredes dessas casas de alvenaria

é o fogo o usurpador das noites

balançado ao vento suspeito

estão mortos todos os mortos

estão mortos todos os mortos

em cima das macas nos hospitais

corações corações corações já não batem

jaz o fogo o encantador que nem serpente



flauta – tocador de flauta

astronauta da escuridão



olhos semi-cegos querendo enxergar

um finco de luz

um finco de luz

se não há

manda o fogo derreter a vela

para que se apague a vida

manda o fogo derreter a vela

para que se apague a vida

mãos geladas não mais esquentarão

a mão dos colegas mãos geladas de pessoas apagadas

mando o clarão da noite clarear o tempo – não se esconda nas mãos.













Fim dos tempos



Quede a morte decretada nos códigos penais

Sorriso do diabo/gargalhada de deus

Soltem-se os anjos assassinos com suas...

Espadas/canetas que assinam a sentença

Martelos que batem – transitados em julgado!



Como proceder com a morte

Onde ela está, arquivada em processos?

Mal-amada em leis, normas...



Amaldiçoados perdões e perdoados

Putas eleições, urnas eletrônicas da vontade. (Indireta )

- representações!



Quem indica é o Q.I

Trabalho e emprego insuportável

É só a morte, só a morte sobreviverá

Ao apocalipse – fim dos tempos!

Quede a morte, e-mails, meios de comunicação

Decretada nos artigos dos códigos penais

Sorriso/gargalhada do diabo/de deus



















g



Apago teus olhos

Beijo-te profundamente numa promessa

vou atando tua língua

quero que me peça

muitos sonhos



Dou-te

Beijo-te



apago teus olhos

larga um sorriso

você é tão bonita

teu cheiro me provoca

teu gemido é um aviso

apago teus olhos



Beijo-te ,te beijo

Dou-te sou teu



Santa benção



Aonde foram os poetas

Com suas mãos milagrosas

Seus versos

Suas prosas - Aonde foram...



Os poetas com seus

Olhares iluminados

Seus poemas de vida

Suas poesias...



Os poetas aonde foram

Assim como as gentes

(que não lêem)

desapareceram – Graças a Santa Benção Capi(e)talista

amém!





Quis



Quis quanto de ti

Quando te quis

Quanto te quis

Quis tanto de ti

Tanto te quis

(quis dias, quis em dias)

Á noite quis

Á beira quis

Quis começo

Não quis

(fim)





Sem levar



Sem levar um toque da tua boca

Numa noite bonita lá fora de lua

Sem levar...

-Um olhar!

Derradeiro pra saber

Que eu sou primeiro

Te despir da roupa sua

(sem levar)

- Tuas mãos ou pés,teus seios ou voz

Sem levar ela rouca

Sem levar eles rijos

Sem levar,sem levar...













Morena



Não sei se vale a pena

Tanto amor por ti

Assim sem fim

Sem nunca mais

Morena



Na minha boca

Eu te tenho

E te dou meu coração

Pra que eu não sofra

(não)



Até você voltar

E até lá

Morena...



Não sei se vale

A pena tanta

Saudade por ti



Pra mim

É ruim

Viver sem ti

É sem paz

(Morena)















P ?



Pássaro

?

tens asas,voa!

Tens bico,canta!

Tens casa,vida,saúde...

Boa,pássaro!

-Asas,bico,casa!

És pássaro,viva!

Pássaro

?

voa?canta?

vida...saúde...

pás-sa-ro

-assim,separam-se

as silabas

e fica-se separado!





Paisagem natural



Sobra da genialidade humana

Favela

Pouco quase, nada tanto

Sobra da genialidade humana

Arma – pouco nada, tanto quase



Sobra da genialidade humana

Homem – quase nada, tanto pouco

Obra da genialidade humana

Bomba – buummm!

- fim!







Moços e moças (entre) moças e moços



Quantos moços no viver

E tantas moças

Se mesmo antes de nascer

Vida nem mesmo tem...



Então moços e moças não

Então moços e moças são

Ainda mesmo nem...



Quantos moços fez crescer

E tantas moças

Mas mesmo pouco de querer

Vida nem pouco vêm...



Então moços e moças dão

Então moços e moças tão (ainda mesmo assim)

Moços e moças de vida





Estrela-papel



Luz que pesa

Bolsos furados

Procuram...

Estrelas desejos incontidos

- Tic! Tic!

A máquina registra

Estrelas trocadas

Por tentativas de preencher

-Vidas vazias...

estrelas frágeis

Vingança de quem um dia foi...

estrela!









Deitar o peito cansado sobre os teus seios bonitos



Como você nas madrugadas

O frio quebra os ossos

(me encolho_)



Não percebo que o vento

Esse estúpido sopro

Há de espantar os medos nossos

Que colho (toda noite a dormir)



Esses fantasmas da agonia

Que vem aos sonhos

Abraço a escuridão que há

De me trazer o dia

Para abrir os olhos

Deitar o peito cansado

Sobre os teus seios bonitos



Passar a língua nos teus

Subir as montanhas lá

Os céus infinitos

Adeus!























Poeta vagabundo



O poeta apontou o dedo contra a lua

Cuspiu e gritou

Não tenha medo

Desça daí,fique nua

Me dê todo seu amor



Que sou poeta

Que sou louco

E estou pronto para amar



“Sou poeta vagabundo

Poeta que trabalha

Poeta que acredita

E contesta e quer

E estou pronto para amar “



O poeta fechou os olhos

Sentiu dentro dele

Um sentimento imenso

Ousou e tirou a roupa

Beijou, beijou

Falou o que sentia

Ouviu palavras ao ouvido



O poeta tremia, o poeta gemia, o poeta se calou por uns momentos...



Fez amor

Fez amor



Quando abriu os olhos

Lá estava a lua

Lá em cima



O poeta levou as mãos á cabeça

O poeta disse... - poeta é humano, poeta é bicho!



Aspirações sob audição do cordel do fogo encantado



Apara a água com a lata

Apara a lágrima

Que ela vai cair de cima

Descer correndo raivosa/sofrida



Apara a água com a mão

Enxuga o céu tremoso

O rosto calejado

Pois lampião tá chegando

Junto com seus cangaceiros

Mais de um milhão

De coronéis estão lamentando

Tanto maltratar os roceiros



Apara a água com a boca

Fecha o olho se não quer ver

Hoje o céu está disposto



Os trovões rasgam o infinito



Apara a água

Apara a água

Apara a água

Apara a água.







Quadro na parede



Lembro de amanhã

Como são as flores como são as pessoas

Muitos com pouco

Lembro de amanhã

São as flores são as pessoas

Lá estará os poemas lá estará os poetas

Estas são suas mãos

Estas são suas ferramentas

E o poeta não vive e o poeta não morre

As pessoas lá as flores lá

Este é um quadro na parede



Vou



Ardo pavorosamente com as palavras

Sujo as mãos comidas por rastejantes

Cordas delicadas estampadas com toques

Sensíveis de sangue



Vou me cobrir

Com as vestes universais

Da natureza

Um corpo perfeito encaixar-se-á

Como uma chuva

Um sol-céu

Descoberto de edifícios



Artifícios que lamentarão



Vou me enxugar com os suspiros

Papiros silenciosos indecifráveis

Canais interrogáveis jaz pax

Eterna a vir



“aspiração – levo um instante a soltar os pulmões

corram

surjam novamente vivos

ou mais vivos

prepara-te a cannabis

o caos da cidade

os cães da cidade

os automóveis da cidade

as chaminés da cidade

querem matar-te

inspiração .”



“Corta a tua boca

torná-la oca com um beijo

suprir toda a respiração

cessar seja por alguns instantes

cada circulação da gota

de teu sangue



Te aprisionar num mangue

colar tua língua

como uma prisão ao preso”







É



É,teu corpo

Me olha como alimento

Sustento

Para suportar mais um dia

É,teu corpo é corpo

A boca me molha

Me descobre como um invento

Tua mão em mim bóia

Me pega em prende me quer

Teu corpo

Infinitamente é

Razões existencialistas de argumento

De uma dose,mais um pouco

Efeitos lúdicos da noia

Teu corpo é

Carros engarrafados num cruzamento

Lendas chinesas ou cavalo de tróia

É tudo e unicamente o que se sacia

Corpo corpo corpo

(é teu)





Estado de poeta



Cuspiu no chão

Sentiu como amarga estava a boca

E,cuspiu,cuspiu,cuspiu

Pôs um icekiss

Não gostou e cuspiu

Lembrou que era tarde

9 ou 10 da manhã

Mais era tarde

Perguntou a hora

Aproveitou para ler um trecho da placa que dizia- “Aceitamos todo os cartões de crédito”

Quis ir até a loja

Lembrou do tempo

E o tempo...

Deu sinal pegou o ônibus que ia para o terminal

Sentou perto de uma garota

Ficou envergonhado

Tímido

Lembrou que era sexta...

Sexta?

O trânsito não estava lá essas coisas

O sinal fecha

A garota levanta

Olhou para um menino que vendia balas

Mas não comprou nada

Notou...

Deus sinal

Desceu do ônibus

E andado parou

Cuspiu no chão s

Sentiu como amarga estava a boca

E cuspiu,cuspiu,cuspiu, cuspiu...

Pôs um icekiss?

Lembrou...

Não gostou e cuspiu.



ao teia 2010

a cara

a cura



a mala

a cuia



a saia

a mula



a vala

a rua



a sala escura

a sala está cheia

de AR

de MAR



OÍ,que poesia é essa que me sai

poesia sinistra que por pouco não me cai



poesia feito gente

de trás e de frente

para onde é que ela vai



poesia que é minha vida

tão sincera,tão querida

que eu quero muito mais



é de chão é de pé

é de barro é de areia

do cimento as teias

que me fazem que me tão

de longe eles nunca vão

de perto eles nunca vem

e é no balanço do trem que o trem já se acaba...







e a morte não me cala

mesmo se eu estou qiuieto

e é melhor você fiacar certo

e se morra de tremer

e se cague de temer

o quão eu sou tão forte

pois eu sou é do norte

cabra bom e cabra mal

se me pede um real

eu te dou uma esmola

se me dá uma vergonha

eu te dou uma cachola





chora menino chora

que o poeta endoidou

que o poeta está doido

chora mais não vai embora

que o poeta nem chegou...e é só o começo!







*poesia feita no estágio "reconstruindo a liberdade"do 9ºsemestre do curso de direto,após maravilhosos dia de batucadas no teia tambores digitais 2010 em fortaleza,muito bom rapaz,muito bom menina!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

não estou disposto

NÃO ESTOU DISPOSTO



SABEMOS

E SE NÃO

COMO VAI SER

COMO SERÁ

SE AINDA NÃO É

PALAVRAS EM VÃO

PALAVRAS AO VENTO

PALAVRAS SEM FÉ

E NADA

OU QUASE NADA

SE AINDA PODE

DEVE

E NÃO

OU MAIS

OU O QUE

SE AINDA CHOVE

SE AINDA SOL

SE PALAVRAS SURGEM

SE NAVEGAM

COMO BARCOS

PELA IMENSIDÃO

TÃO PERDIDOS QUANTO NÓS

TÃO ENCAIXADOS

AO REAL

REALISMO SECO

DA BEBIDA QUE NÃO NOS LIVRA

DE ACORDAR CEDO

OU DE NÃO ACORDAR

DE NÃO SER CONCEBIDO

E SE EU TIVESSE BEBIDO

ESTARIA MAIS

ESTARIA O MESMO

E SE EU FOSSE EBRIO

SEMPRE

A REALIDADE ME SUFOCARIA MENOS

OU QUASE NADA

NADA OU ENTÃO

EU SUPORTARIA

ESSAS PALAVRAS

COMO UM BEIJO

OU UM SOCO

UM SUSPIRO

E MAIS UM COPO OU

DECLAMARIA PALAVRÕES

RASGARIA OS PADRÕES

ESCANCARIA OS PORTÕES

SUJARIA O CORPO

COM OUTRO CORPO

PRA SER LIMPO

DE NOVO OU

MAIS SUJO MAIS

MAIS

E FUJO

PELAS PaLAVRAS

NÃO

NÃO

NÃO

ESTOU DISPOSTO

POSTADO POR BLOG PROVOCAÇÕES! ÀS 13:41

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

estão por ai

caminhando indecisas

essas gentes

com suas cabeças cheias/vázias

com seus celulares tocando

é uma voz que chama

é uma voz

mas não importa

você esta atrasado

você precisa de dinheiro

e eles precisam de você

la vai ele

com as mãos limpas

de tanta agua

mas a sujeira não sai

o teu corpo se irrita

e então mais um comprimido

e então mais uma porrada na cara

mais uma vez deprimido

de que vale tanta parafernalia

de que vale o seu bom senso

se já está com os dias contados

o tempo passa

o tempo vai rapido

e ficamos perdidos

jogados de lado

como peças velhas e sem uso

nõa adianta

não dá

é um grande sufoco

e por pouco não desistiu de tudo

mais um lhe empura

mais um com a cara feia

eles também são amestrados

eles são mais que isso

caminham dando voltas

até um dia cansaram

ficarem tontos de vez e cairem

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

É SÓ MAIS UM POEMA...

AGORA



agora os olhos estavam cheios...

sujeira urbana

poeira da cidade

bagunça orquestrada pelas buzinas e rumores de uma expectativa no atraso

NÃO...

não somos mais nós os mesmos

nunca fomos

nunca

não sabemos quem somos

não nos reconhecemos

uma simples atitude

um gesto normal

caimos na real....



agora os olhos se perdem num vazio incrivel

absurdamente natural

essas pessoas que não queremos observar

esses olhos que não queremos ver

essa carne que não queremos tocar



certamente ....estamos perdidos em meio a tantas mercadorias



claramente o cartaz diz que é possivel se encher de quinquilharias



e assim,a felicidade vai bater a sua porta

e o fim,agora você descobre que não é mais pessoa...

sem identidade,sem pertecer

sem se conhecer

sem nada....MORTA

SE MORRE SE MATAMOS AOS POUCOS

SE apagamos,nos enganamos por pouco...

nem que fosse por muito

o melhor deve ser descobrir que não somos

e o que somos

e o que sentimos

e o que queremos

nada?



sexta-feira, 10 de outubro de 2008

saber

saber que

nada

é nada

não é saber

nem não saber

é saber

nem nada

saber

saber que

nada

nada´

é saber

nem saber

não é saber

não

nada

é saber

que

não

que nada

que saber

não

saber

é saber

nada

é nada

saber

que nada

saber

que

nada

terça-feira, 30 de março de 2010

ao teia 2010

a cara
a cura

a mala
a cuia

a saia
a mula

a vala
a rua

a sala escura
a sala está cheia
de AR
de MAR

OÍ,que poesia é essa que me sai
poesia sinistra que por pouco não me cai

poesia feito gente
de trás e de frente
para onde é que ela vai

poesia que é minha vida
tão sincera,tão querida
que eu quero muito mais

é de chão é de pé
é de barro é de areia
do cimento as teias
que me fazem que me tão
de longe eles nunca vão
de perto eles nunca vem
e é no balanço do trem que o trem já se acaba...



e a morte não me cala
mesmo se eu estou qiuieto
e é melhor você fiacar certo
e se morra de tremer
e se cague de temer
o quão eu sou tão forte
pois eu sou é do norte
cabra bom e cabra mal
se me pede um real
eu te dou uma esmola
se me dá uma vergonha
eu te dou uma cachola


chora menino chora
que o poeta endoidou
que o poeta está doido
chora mais não vai embora
que o poeta nem chegou...e é só o começo!



*poesia feita no estágio "reconstruindo a liberdade"do 9ºsemestre do curso de direto,após maravilhosos dia de batucadas no teia tambores digitais 2010 em fortaleza,muito bom rapaz,muito bom menina!
monografia‏
De:
antonio viana (estadodepoeta@gmail.com)
Enviada:
quarta-feira, 24 de março de 2010 1:14:04
Para:
fulerando@hotmail.com
2 anexos Baixar todos os anexos (418,2 KB)
Paul Lafa...pdf (228,9 KB), A Religiã...docx (189,2 KB)
Sociedade de Tempo Livre: o ócio é o "negócio"!
Postado por Charles Leonel Bakalarczyk em 2 fevereiro 2009 às 13:40
Exibir blog de Charles Leonel Bakalarczyk
As inovações tecnocientíficas, principalmente no campo da robótica, da informática, da genética e da telemática, têm sinalizado para a concretização da sociedade de tempo livre, cenário em que a parafernália tecnológica cuidará da quase totalidade da produção de bens e serviços, possibilitando ao homem dedicação prioritária ao ato de educar-se e ao lazer.Essa tendência, no entanto, não é de fácil trânsito no campo da esquerda tradicional. Conforme sustenta L. Koschiba, há um divisor de águas entre a velha e a nova esquerda relativamente ao tipo de sociedade que se pretende construir e que, com efeito, se expressa na seguinte disjuntiva: será o trabalho ou o tempo livre o eixo central da organização social do futuro? A sociedade de tempo livre pressupõe o avanço tecnológico (sem descuidar da questão da sustentabilidade) e recusa a tese do retorno ao "arado de boi”.Pela direita, o entrechoque não é menos robusto. A ordem burguesa, baseada na criação de falsas necessidades, no consumismo desenfreado como forma de desenvolvimento econômico e no monopólio das tecnologias de ponta, é um entrave considerável a ser ultrapassado.A fase atual, de superação da era industrial, denominada provisoriamente de pós-industrialismo ou sociedade da informação, abre caminho para a sociedade de tempo livre. A produção material sede maior espaço à produção imaterial. O conhecimento acerca de uma nova tecnologia tem maior “valor de mercado” do que o bem material gerado por essa tecnologia.Na sociedade rural, iniciada pela revolução agrícola, há sete mil anos, a terra era o meio de produção mais valioso. Na sociedade industrial, o capital, representado pelo dinheiro e pelos bens materiais (máquinas e produtos) era o centro do modelo. Na sociedade da informação, o conhecimento assume o estrelato, passando a terra e o capital para uma função de menor relevância.A sociedade informática é uma primeira nuança da possibilidade concreta da sociedade de tempo livre. Um aviso: é possibilidade, tendência, não conseqüência lógica, determinação. As inovações tecnológicas, por si próprias, nada resolvem, nem com a ajuda da economia. A política, entendida como campo das relações intersubjetivas em que as decisões relacionadas à polis são elaboradas, é quem definirá a trilha a ser tomada, apresentando-se a barbárie como uma alternativa latente.Sinale-se que a idéia de uma sociedade de tempo livre não é nova. A Grécia antiga, por Atenas, teve sua experiência na época da democracia. O cidadão livre se inseria na vida publica, cuidando dos interesses da polis. A atividade pública era valorizada ao extremo; o trabalho, em sentido contrário, como elemento da esfera privada, não era digno de um homem público. Porém, a democracia era somente para os cidadãos, excluindo do espaço público a grande maioria dos atenienses, em especial mulheres e escravos. Os escravos produziam e as mulheres cuidavam das atividades domésticas. Afinal, não havia tecnologia para garantir a produção...Pois a concretização de uma sociedade de tempo livre pode reafirmar os valores da vida pública (de dedicação quase exclusiva à polis) como concebiam os antigos, porém integrando ao processo toda a população. A figura do escravo (modo de produção escravista) e do operário clássico (capitalismo nascente) é substituída pela máquina, pela tecnologia e pelas teias da imaterialidade.O cidadão liberado do trabalho poderá ir à praça dedicar-se aos negócios do Estado. E se não puder ou não quiser ir à praça, então ele manifestará on-line sua vontade, pelo seu computador de bolso, mediante um comando de voz. A sociedade política estará subordinada à sociedade civil, que terá mecanismos de controle e de imposição democrática de sua vontade.Evidentemente que beira à insanidade pretender o fim de qualquer atividade laboral. O que se sustenta é o progressivo deslocamento do esforço produtivo para a geração de bens imateriais, ficando a máquina com o trabalho pesado. Os humanos estarão ocupados, mas com a cabeça e não com os braços. E não se pense que alguns terão de apertar botões: a tecnologia de hoje já permite que os operadores transmitam comandos verbais às máquinas (e em distância longas). Certamente haverá trabalho que exija músculos: mas será residual ou até resultado de opção de lazer (ir numa academia se exercitar, por exemplo).A sociedade de tempo livre trará consigo um novo direito: o direito ao ócio. Aliás, Domenico De Masi lembra que Lafargue, genro de Marx, já defendia em 1880 o ócio como um direito do homem. Dizia ele que o trabalho se tratava de um “ótimo tempero para o ócio”.Então, considerada a sociedade do tempo livre, o ócio não será o “negócio”?Charles Leonel Bakalarczyk

terça-feira, 31 de março de 2009

e

08/08/2005Barba feita
Por Marcos Diego Nogueira
Desde “O Bloco do Eu Sozinho” é sempre a mesma coisa. Ter um disco novo do quarteto carioca Los Hermanos em mãos é garantia de trocar o sentimento de expectativa por surpreendentes novidades rítmicas e poéticas, características da vontade de seus integrantes de reinventar a fórmula da banda e cometer obras essencialmente atemporais. Com “4”, o tal novo disco, não tem sido diferente. As dúvidas sobre a qualidade do material se foram na primeira degustação, principalmente referentes à tão comentada quase-total ausência dos metais, característica marcante nos discos anteriores e que agora se faz econômica e aparece – sem timidez – em momentos escolhidos a dedo.
Seus compositores mostram novos rumos em detalhes muito próprios. Marcelo Camelo, responsável por sete das doze músicas do álbum, se recolhe internamente e prima pelos arranjos mais acústicos e as letras mais emblemáticas, poéticas. O conceito “além do que se vê” empregado nas letras do anterior “Ventura” dá lugar mais uma vez à inevitabilidade de todos os carnavais. Seja na mais pura representação do desespero, “E agora o amanhã, cadê?”; na vivência de fatos passageiros, “Eu não, prefiro assim com você, juntinho, sem caber de imaginar até o fim raiar”; no imediatismo exacerbado, “Dá-me luz ó deus do tempo, nesse momento menor (...) a gente quer ver o horizonte distante aprumar”; ou no conformismo, “só levo a saudade, morena, é tudo que vale a pena”.
Já Rodrigo Amarante, responsável pelo single inicial de divulgação do álbum, traz os momentos mais alegres do álbum, como em “Paquetá”, “O vento” e “Condicional”, essa última a mais agitada de “4”. Interessante é perceber a porção Camelo que floresce por trás do estilo de Amarante. O fã confesso de Marcelo brinca com propriedade sobre a figura humana em suas letras, sendo aqui muito mais explícito do que o outro. A semelhança de estilos fica ainda mais acirrada com os jogos de palavras empregados nas novas composições: como em “Condicional”, “Quis nunca te perder/ Tanto que demais / Via em tudo céu / Fiz de tudo cais / Dei-te pra ancorar/ Doces deletérios”; ou em “Primeiro andar”, “não faz disso esse drama essa dor/ é que a sorte é preciso tirar pra ter”. Os versos de “Paquetá” deixam isso mais evidente em momentos como “é que eu já sei de cor qual o quê dos quais e poréns dos afins, pense bem ou não pense assim” ou “Que desfeita, intriga, o ó/ Um capricho essa rixa e mal/ Do imbróglio que quiproquó/ e disso bem fez-se esse nó”.
1 – “Dois barcos” – Clima chuvoso e intenso. Piano e baixo se integram em um movimento melancólico, lembrando um pouco Hurtmold. Entra o vocal calmo e que lembra os idos tempos de Ivan Lins (Ivan Lins?)* e “Santa Chuva”, o som que ficou famoso com a Maria Rita. Os arranjos de fagote e metais – escritos pelo próprio Camelo e por Edu Morelenbaum – colocam um pouco mais de sal na água das lágrimas de quem ouve. O clima denso funciona para aclimatar o ouvinte para o que está por vir. Influências de Caymmi nas letras. “Doce o mar perdeu no meu cantar”.
2 – “Primeiro andar” – Levadinha esperta um pouco diferente das últimas incursões compositoras de Rodrigo Amarante. Olhar o mundo para olhar a si próprio é mais ou menos a tônica da letra. São três guitarras – feitas por Amarante, Kassin e Gabriel Bubu – brincando em contra-melodias e fazendo lembrar bastante os grupos norte-americanos de música emo, principalmente Sunny Day Real Estate e Death Cab For Cutie. Presta atenção no riff final...
3 – “Fez-se mar” – Um Camelinho e um violão! Talvez o maior sambinha feito por Marcelo Camelo. Estilo Paulinho da Viola mas com características totalmente próprias. Saca só o refrãozinho: “Clareira no tempo, Cadeia das horas, Eu meço no vento, O passo de agora”. O ruidoso solo de guitarra feito por Fernando Catatau é o tempero: bem climático, percorre toda a espinha dorsal por cima de um violão de suingue arrastado.
4 – “Paquetá” – apesar do título Vinícius de Moraes e a tendência ao samba, “Paquetá” tem influências de música latina, principalmente na percussão e no piano. Caberia muito bem no projeto paralelo de Amarante, a Orquestra Imperial. Em jogos inteligentes de palavras e rimas, ele divaga sobre os dissabores da perda, desculpa-se das burradas e declara à sua amada: “sem você sou pá-furada”.
5 – “Os pássaros” – Com um início que lembra Radiohead e a levada vocal característica de Rodrigo Amarante, retrata o coração partido de um eu-lírico (eu-lírico?)* que mostra insegurança e confusão em relação à vida. O ritmo arrastado – bem característico de quem passa pela fase da perda (fase da perda?)* – encaixa no zigue-zague da letra. O sintetizador e o harmônio elétrico de Bruno Medina estão tinindo.
6 – “Morena” – Esse início não engana: Camelo andou ouvindo “Anos dourados”, parceria de Tom Jobim e Chico Buarque. O riff e a levada são bem parecidos. A música é poesia pura acompanhada por instrumentos. “É, morena, tá tudo bem. Sereno é quem tem paz de estar em par com deus. Pode rir agora que o fio da maldade se enrola”. É a canção mais próxima do ska, ritmo constantemente flertado pelos Hermanos em um passado nada distante. “Anos dourados" e ska?
7 – “O vento” – É o primeiro single do álbum. Começa após um silêncio proposital de 12 segundos. Talvez para quebrar o clima mais melancólico das seis primeiras faixas, ou dividir o disco – que deve ter edição em vinil – em dois lados. É a primeira vez que os Hermanos promovem um álbum com um som do Amarante. Enfim uma levada alegre, em clima dos mexicanos do Café Tacuba e com pegada pop. Guitarra com levada rápida e teclados espertos. Tem cara de prédio na praia do Rio de Janeiro. Daqueles que não têm varanda mas compensam com um puta janelão.
8 – “Horizonte distante” – Finalmente uma banda nacional consegue passar para o Brasil o que bandas como Franz Ferdinand e Strokes fazem nos EUA. Saca só essa levada de guitarra! Mas tem aquela porção Los Hermanos, né? Os arranjos arrepiam. Esse papo de “horizonte distante” soa meio Renato Russo pra você? Não se deixa enganar. O flerte com o progressivo é evidente. Se em “Ventura” os refrões eram escassos, em “4” eles voltam a aparecer. “A gente quer ver o horizonte distante” é prova disso. Algo soa como um solo de banjo, mas no disco não tem essa informação então deve ser uma guitarra maluca. Detalhes que fazem a diferença, e os barbudos sabem disso.
9 – “Condicional” – Essa tem cara de “Ventura”. Pianinho com riff esperto, guitarra e teclados mais próximos do Weezer e Amarante enrolado novamente em lamúrias de amor. É a “Canção do amor demais” dos barbados. É o fim da parte “mais animada”, iniciada na faixa sete.
10 – “Sapato novo” – Violão dedilhado, baixo, bateria, sintetizador e...Vibrafone! Jota Moraes é o convidado dessa faixa. Silenciosa, triste e direta: “levo assim, calado, de lado do que sonhei um dia como se a alegria recolhesse a mão pra não me alcançar”. Quem diz que Marcelo Camelo é um seguidor de Chico Buarque acerta pela semelhança na destreza em interpretar sentimentos com uma linguagem comum e ao mesmo tempo sofisticada e profunda. Erra quando não percebe as propriedades únicas conservadas na poesia de ambos. Camelo é Camelo e “Sapato Novo”, uma canção de amor singelo com uma letra isenta de rimas, é grande prova disso.
11 – “Pois é” – O que esperar de uma música que começa com a seguinte constatação: “pois é, não deu”? Com muito lirismo Marcelo Camelo prega o Carpe Diem em um arranjo simples e belo. “Avisa que é de se entregar o viver (...) Deixa o amanhã e a gente sorri”. Soa como um aviso ao ouvinte que a essa altura está hipnotizado e com o coração na mão.
12 – “É de lágrima” – A última do disco e a que encerra a trilogia corta-pulso que se inicia em “Sapato novo”. A curiosidade fica por conta da ausência do Amarante na gravação desse som, algo meio inexplicável... É da banda, né? Para aqueles que sempre analisam o som dos Hermanos a partir da proximidade com a MPB, uma surpresa: “é de lágrima” esquece o tupiniquim e coloca os dois pés na música inglesa. E aí declara Marcelo que “É de lágrima que faço o mar pra navegar” antes do estouro nos arranjos. Um “gran finale” de um excelente álbum.
*(notas de estranhamento da www.radiolaurbana.com.br, hehehe)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Acomodações ou provocações?

Acomodações ou provocações?
Vivemos. É isso que temos certeza (ou não?). Mas, não basta só isso... Eu estou dizendo assim não é com nenhuma pretensão bunda mole profética ou cara pálida de salva vidas, não. Considero todas as hipóteses, suposições, falações, enganações, supertições, besteiras, tudo o que mais estiver com o propósito macho, fêmea, de mudar, superar, seja lá que nome quiser colocar, pois o que importa mesmo é a vontade, o gosto, esse sabor que só você sente na boca é isso. Esse sentimento legal mano, mina, de acabar com toda essa situação que não é nada boa, e que se eu for detalhar aqui, haja papel; também, já sei que todos nós temos pelo menos uma noção pequena disso, não é?Ou somos tão retardados assim que... Deixa esta.
Acomodações ou provocações, é mole, é mole resumir tanta coisa, tanta beleza meu irmão, minha irmã a isso, é mole, mas se presta atenção fica é duro...
Ora, se todo dia nós vivemos a batalha que é a vida, é isso que é bonito, não é ser um frustrado, um carniceiro doido por dinheiro que lambe o chão fedido pelos pés desses caras caducos, frustrado nunca!É ser doido, mas é ser doido pela vida, por todo dia acreditar que não se é um fracassado, um cagado qualquer que cheira o peido fedorento dos senhores e senhoras (ponham as mãos no chão, dê uma rodadinha e vá pro olho da rua)
Somos gente, cheios de sorrisos, plenos de vozes, carregados de abraços, beijos e tanta alegria, festa e sabedoria, nós somos é um bando de gaiatos sim... É claro que de todo modo tentam nos diminuir a cloacas deles, mas comigo não!Enquadrar-nos a porcos domesticados para servir de comida para suas bestas, nos acorrentar aos seus falsos valores e as suas falsidades moralistas... Essas sanguessugas nos acomodam cotidianamente a catarro cuspido por eles!
Vão acomodar a puta que os pariu!E quem tiver incomodado que chegue mais perto, que é preciso conversar, bater um papo legal. Um bom... E os acomodados... Que se retirem,saiam,caia fora seu besta, seu abestado!Vai ficar ai é, feito mulamdo dessas carniças?
Vamos provocar!Arg!É mais bonito, cantar a vida em maracatus, sambas, rocks, em batucadas, uma canção na viola, na batida, um poema pela língua afiada de um inconformado, um livro bom, um filme legal, uma conversa, um encontro, um esquete, uma arte bonita, um passeio, uma viagem, uma festa. É dizer que não precisamos de mais comida lixo, nem de medo, nem de susto, nem de seu atestado de mediocridade, nem de identidade; olhe no meu rosto, quem sou?Sou eu e ai!Precisamos dançar a vida, na vida, com vida, de beleza (o que é feio eu não quero) queremos ficar livres de suas imposições, de sua s palminhas de guiné, dessas cenas absurdas de violência produzida, do espetáculo que todos somos colocados a interpretar uma personagem - Riso por fora, desespero por dentro!
Chega!É aqui que eu paro, vou trilhar outro caminho, que não seja o do dinheiro, do poder, do pacto dos babacas, da sujeira que é!
Pare você mesmos ai!O sinal não esta vermelho aonde que remos chegar, mas agora está azul e todos passam por cima uns dos outros, atropelam...
Acomodações ou provocações?
Acomodações; se essa é a sua vontade, aproveite bem a sua bosta e coloque mais açúcar, seu fela!
Provocações; precisamos bater um papo e nos conhecer por toda a vida!