terça-feira, 31 de março de 2009
e
Por Marcos Diego Nogueira
Desde “O Bloco do Eu Sozinho” é sempre a mesma coisa. Ter um disco novo do quarteto carioca Los Hermanos em mãos é garantia de trocar o sentimento de expectativa por surpreendentes novidades rítmicas e poéticas, características da vontade de seus integrantes de reinventar a fórmula da banda e cometer obras essencialmente atemporais. Com “4”, o tal novo disco, não tem sido diferente. As dúvidas sobre a qualidade do material se foram na primeira degustação, principalmente referentes à tão comentada quase-total ausência dos metais, característica marcante nos discos anteriores e que agora se faz econômica e aparece – sem timidez – em momentos escolhidos a dedo.
Seus compositores mostram novos rumos em detalhes muito próprios. Marcelo Camelo, responsável por sete das doze músicas do álbum, se recolhe internamente e prima pelos arranjos mais acústicos e as letras mais emblemáticas, poéticas. O conceito “além do que se vê” empregado nas letras do anterior “Ventura” dá lugar mais uma vez à inevitabilidade de todos os carnavais. Seja na mais pura representação do desespero, “E agora o amanhã, cadê?”; na vivência de fatos passageiros, “Eu não, prefiro assim com você, juntinho, sem caber de imaginar até o fim raiar”; no imediatismo exacerbado, “Dá-me luz ó deus do tempo, nesse momento menor (...) a gente quer ver o horizonte distante aprumar”; ou no conformismo, “só levo a saudade, morena, é tudo que vale a pena”.
Já Rodrigo Amarante, responsável pelo single inicial de divulgação do álbum, traz os momentos mais alegres do álbum, como em “Paquetá”, “O vento” e “Condicional”, essa última a mais agitada de “4”. Interessante é perceber a porção Camelo que floresce por trás do estilo de Amarante. O fã confesso de Marcelo brinca com propriedade sobre a figura humana em suas letras, sendo aqui muito mais explícito do que o outro. A semelhança de estilos fica ainda mais acirrada com os jogos de palavras empregados nas novas composições: como em “Condicional”, “Quis nunca te perder/ Tanto que demais / Via em tudo céu / Fiz de tudo cais / Dei-te pra ancorar/ Doces deletérios”; ou em “Primeiro andar”, “não faz disso esse drama essa dor/ é que a sorte é preciso tirar pra ter”. Os versos de “Paquetá” deixam isso mais evidente em momentos como “é que eu já sei de cor qual o quê dos quais e poréns dos afins, pense bem ou não pense assim” ou “Que desfeita, intriga, o ó/ Um capricho essa rixa e mal/ Do imbróglio que quiproquó/ e disso bem fez-se esse nó”.
1 – “Dois barcos” – Clima chuvoso e intenso. Piano e baixo se integram em um movimento melancólico, lembrando um pouco Hurtmold. Entra o vocal calmo e que lembra os idos tempos de Ivan Lins (Ivan Lins?)* e “Santa Chuva”, o som que ficou famoso com a Maria Rita. Os arranjos de fagote e metais – escritos pelo próprio Camelo e por Edu Morelenbaum – colocam um pouco mais de sal na água das lágrimas de quem ouve. O clima denso funciona para aclimatar o ouvinte para o que está por vir. Influências de Caymmi nas letras. “Doce o mar perdeu no meu cantar”.
2 – “Primeiro andar” – Levadinha esperta um pouco diferente das últimas incursões compositoras de Rodrigo Amarante. Olhar o mundo para olhar a si próprio é mais ou menos a tônica da letra. São três guitarras – feitas por Amarante, Kassin e Gabriel Bubu – brincando em contra-melodias e fazendo lembrar bastante os grupos norte-americanos de música emo, principalmente Sunny Day Real Estate e Death Cab For Cutie. Presta atenção no riff final...
3 – “Fez-se mar” – Um Camelinho e um violão! Talvez o maior sambinha feito por Marcelo Camelo. Estilo Paulinho da Viola mas com características totalmente próprias. Saca só o refrãozinho: “Clareira no tempo, Cadeia das horas, Eu meço no vento, O passo de agora”. O ruidoso solo de guitarra feito por Fernando Catatau é o tempero: bem climático, percorre toda a espinha dorsal por cima de um violão de suingue arrastado.
4 – “Paquetá” – apesar do título Vinícius de Moraes e a tendência ao samba, “Paquetá” tem influências de música latina, principalmente na percussão e no piano. Caberia muito bem no projeto paralelo de Amarante, a Orquestra Imperial. Em jogos inteligentes de palavras e rimas, ele divaga sobre os dissabores da perda, desculpa-se das burradas e declara à sua amada: “sem você sou pá-furada”.
5 – “Os pássaros” – Com um início que lembra Radiohead e a levada vocal característica de Rodrigo Amarante, retrata o coração partido de um eu-lírico (eu-lírico?)* que mostra insegurança e confusão em relação à vida. O ritmo arrastado – bem característico de quem passa pela fase da perda (fase da perda?)* – encaixa no zigue-zague da letra. O sintetizador e o harmônio elétrico de Bruno Medina estão tinindo.
6 – “Morena” – Esse início não engana: Camelo andou ouvindo “Anos dourados”, parceria de Tom Jobim e Chico Buarque. O riff e a levada são bem parecidos. A música é poesia pura acompanhada por instrumentos. “É, morena, tá tudo bem. Sereno é quem tem paz de estar em par com deus. Pode rir agora que o fio da maldade se enrola”. É a canção mais próxima do ska, ritmo constantemente flertado pelos Hermanos em um passado nada distante. “Anos dourados" e ska?
7 – “O vento” – É o primeiro single do álbum. Começa após um silêncio proposital de 12 segundos. Talvez para quebrar o clima mais melancólico das seis primeiras faixas, ou dividir o disco – que deve ter edição em vinil – em dois lados. É a primeira vez que os Hermanos promovem um álbum com um som do Amarante. Enfim uma levada alegre, em clima dos mexicanos do Café Tacuba e com pegada pop. Guitarra com levada rápida e teclados espertos. Tem cara de prédio na praia do Rio de Janeiro. Daqueles que não têm varanda mas compensam com um puta janelão.
8 – “Horizonte distante” – Finalmente uma banda nacional consegue passar para o Brasil o que bandas como Franz Ferdinand e Strokes fazem nos EUA. Saca só essa levada de guitarra! Mas tem aquela porção Los Hermanos, né? Os arranjos arrepiam. Esse papo de “horizonte distante” soa meio Renato Russo pra você? Não se deixa enganar. O flerte com o progressivo é evidente. Se em “Ventura” os refrões eram escassos, em “4” eles voltam a aparecer. “A gente quer ver o horizonte distante” é prova disso. Algo soa como um solo de banjo, mas no disco não tem essa informação então deve ser uma guitarra maluca. Detalhes que fazem a diferença, e os barbudos sabem disso.
9 – “Condicional” – Essa tem cara de “Ventura”. Pianinho com riff esperto, guitarra e teclados mais próximos do Weezer e Amarante enrolado novamente em lamúrias de amor. É a “Canção do amor demais” dos barbados. É o fim da parte “mais animada”, iniciada na faixa sete.
10 – “Sapato novo” – Violão dedilhado, baixo, bateria, sintetizador e...Vibrafone! Jota Moraes é o convidado dessa faixa. Silenciosa, triste e direta: “levo assim, calado, de lado do que sonhei um dia como se a alegria recolhesse a mão pra não me alcançar”. Quem diz que Marcelo Camelo é um seguidor de Chico Buarque acerta pela semelhança na destreza em interpretar sentimentos com uma linguagem comum e ao mesmo tempo sofisticada e profunda. Erra quando não percebe as propriedades únicas conservadas na poesia de ambos. Camelo é Camelo e “Sapato Novo”, uma canção de amor singelo com uma letra isenta de rimas, é grande prova disso.
11 – “Pois é” – O que esperar de uma música que começa com a seguinte constatação: “pois é, não deu”? Com muito lirismo Marcelo Camelo prega o Carpe Diem em um arranjo simples e belo. “Avisa que é de se entregar o viver (...) Deixa o amanhã e a gente sorri”. Soa como um aviso ao ouvinte que a essa altura está hipnotizado e com o coração na mão.
12 – “É de lágrima” – A última do disco e a que encerra a trilogia corta-pulso que se inicia em “Sapato novo”. A curiosidade fica por conta da ausência do Amarante na gravação desse som, algo meio inexplicável... É da banda, né? Para aqueles que sempre analisam o som dos Hermanos a partir da proximidade com a MPB, uma surpresa: “é de lágrima” esquece o tupiniquim e coloca os dois pés na música inglesa. E aí declara Marcelo que “É de lágrima que faço o mar pra navegar” antes do estouro nos arranjos. Um “gran finale” de um excelente álbum.
*(notas de estranhamento da www.radiolaurbana.com.br, hehehe)
segunda-feira, 2 de março de 2009
Acomodações ou provocações?
Vivemos. É isso que temos certeza (ou não?). Mas, não basta só isso... Eu estou dizendo assim não é com nenhuma pretensão bunda mole profética ou cara pálida de salva vidas, não. Considero todas as hipóteses, suposições, falações, enganações, supertições, besteiras, tudo o que mais estiver com o propósito macho, fêmea, de mudar, superar, seja lá que nome quiser colocar, pois o que importa mesmo é a vontade, o gosto, esse sabor que só você sente na boca é isso. Esse sentimento legal mano, mina, de acabar com toda essa situação que não é nada boa, e que se eu for detalhar aqui, haja papel; também, já sei que todos nós temos pelo menos uma noção pequena disso, não é?Ou somos tão retardados assim que... Deixa esta.
Acomodações ou provocações, é mole, é mole resumir tanta coisa, tanta beleza meu irmão, minha irmã a isso, é mole, mas se presta atenção fica é duro...
Ora, se todo dia nós vivemos a batalha que é a vida, é isso que é bonito, não é ser um frustrado, um carniceiro doido por dinheiro que lambe o chão fedido pelos pés desses caras caducos, frustrado nunca!É ser doido, mas é ser doido pela vida, por todo dia acreditar que não se é um fracassado, um cagado qualquer que cheira o peido fedorento dos senhores e senhoras (ponham as mãos no chão, dê uma rodadinha e vá pro olho da rua)
Somos gente, cheios de sorrisos, plenos de vozes, carregados de abraços, beijos e tanta alegria, festa e sabedoria, nós somos é um bando de gaiatos sim... É claro que de todo modo tentam nos diminuir a cloacas deles, mas comigo não!Enquadrar-nos a porcos domesticados para servir de comida para suas bestas, nos acorrentar aos seus falsos valores e as suas falsidades moralistas... Essas sanguessugas nos acomodam cotidianamente a catarro cuspido por eles!
Vão acomodar a puta que os pariu!E quem tiver incomodado que chegue mais perto, que é preciso conversar, bater um papo legal. Um bom... E os acomodados... Que se retirem,saiam,caia fora seu besta, seu abestado!Vai ficar ai é, feito mulamdo dessas carniças?
Vamos provocar!Arg!É mais bonito, cantar a vida em maracatus, sambas, rocks, em batucadas, uma canção na viola, na batida, um poema pela língua afiada de um inconformado, um livro bom, um filme legal, uma conversa, um encontro, um esquete, uma arte bonita, um passeio, uma viagem, uma festa. É dizer que não precisamos de mais comida lixo, nem de medo, nem de susto, nem de seu atestado de mediocridade, nem de identidade; olhe no meu rosto, quem sou?Sou eu e ai!Precisamos dançar a vida, na vida, com vida, de beleza (o que é feio eu não quero) queremos ficar livres de suas imposições, de sua s palminhas de guiné, dessas cenas absurdas de violência produzida, do espetáculo que todos somos colocados a interpretar uma personagem - Riso por fora, desespero por dentro!
Chega!É aqui que eu paro, vou trilhar outro caminho, que não seja o do dinheiro, do poder, do pacto dos babacas, da sujeira que é!
Pare você mesmos ai!O sinal não esta vermelho aonde que remos chegar, mas agora está azul e todos passam por cima uns dos outros, atropelam...
Acomodações ou provocações?
Acomodações; se essa é a sua vontade, aproveite bem a sua bosta e coloque mais açúcar, seu fela!
Provocações; precisamos bater um papo e nos conhecer por toda a vida!
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
(liberdade)
mais poesia
não estou disposto
NÃO ESTOU DISPOSTOSABEMOSE SE NÃOCOMO VAI SERCOMO SERÁSE AINDA NÃO ÉPALAVRAS EM VÃOPALAVRAS AO VENTOPALAVRAS SEM FÉE NADAOU QUASE NADASE AINDA PODEDEVEE NÃOOU MAISOU O QUESE AINDA CHOVESE AINDA SOLSE PALAVRAS SURGEMSE NAVEGAMCOMO BARCOSPELA IMENSIDÃOTÃO PERDIDOS QUANTO NÓSTÃO ENCAIXADOSAO REALREALISMO SECODA BEBIDA QUE NÃO NOS LIVRADE ACORDAR CEDOOU DE NÃO ACORDARDE NÃO SER CONCEBIDOE SE EU TIVESSE BEBIDOESTARIA MAISESTARIA O MESMOE SE EU FOSSE EBRIOSEMPREA REALIDADE ME SUFOCARIA MENOSOU QUASE NADANADA OU ENTÃOEU SUPORTARIAESSAS PALAVRASCOMO UM BEIJOOU UM SOCOUM SUSPIROE MAIS UM COPO OUDECLAMARIA PALAVRÕESRASGARIA OS PADRÕESESCANCARIA OS PORTÕESSUJARIA O CORPOCOM OUTRO CORPOPRA SER LIMPODE NOVO OUMAIS SUJO MAISMAISE FUJOPELAS PaLAVRASNÃONÃONÃOESTOU DISPOSTO
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
"SERÁ verdade ou será que não,nda do que posso falar...e tudo isso pra sua proteção nada do que posso falar"...PLEBE RUDE!!!!
Do nascimento à gravação de O Concreto Já RachouProvavelmente uma das estréias mais importantes do rock brasileiro, o primeiro disco da Plebe Rude continha os mega hits Até Quando Esperar, Proteção, Johnny vai à Guerra, Brasília e Minha renda. O trabalho rendeu um Disco de Ouro quase que da noite para o dia. O jornalista Arthur Dapieve escreveu na antologia BRock, O Rock Brasileiro dos Anos 80: “O Concreto já rachou é sério candidato a melhor disco da história do Rock Brasileiro.”NascimentoPlebe Rude. O grupo que é apontado como um dos mais importantes e influentes da cena musical de Brasília dos anos 80, nasceu meio que ao acaso. Quer dizer, nem tanto assim. Philippe Seabra se recorda que, numa tarde de julho de 1981, quando voltava para casa vindo do colégio, encontrou-se com André Mueller no ônibus. Ambos eram vizinhos no bairro do Lago Norte, em Brasília. Poucas semanas antes, André tinha convidado o vizinho para assistir a uma apresentação do grupo Os Metralhas, da qual era o baixista, na lanchonete Foods, na 111 da Asa sul.Philippe tinha então 14 anos. Claro que tinha aceitado o convite. “Foi a primeira vez que vi um show punk ao vivo, mas o estilo já conhecia”, recorda-se. Dois anos antes, quando André morava na Inglaterra, ele mandara uma fita K7 para o irmão mais velho de Philippe, Alex. O conteúdo da fita eram as músicas do explosivo movimento que estava acontecendo por lá. Philippe descobriu então músicas de Stiff Little Fingers e do Clash. E a sua vida mudou para sempre. André foi quem abasteceu a turma em Brasília com as últimas novidades de Londres.Mas, voltando ao encontro dos dois no ônibus, naquela tarde seca, característica de Brasília em julho, André perguntou a Philippe se ele queria montar uma banda. O jovem Seabra estudava na Escola Americana e tocava guitarra na banda Caos Construtivo, que fazia versões de músicas do Stiff Little Fingers, Clash, Buzzcocks, Ramones e Undertones, junto com mais três amigos iugoslavos. Era André quem emprestava seu baixo Fender Precision para a banda — o único instrumento de verdade a que tinham acesso. Mas Philippe já estava querendo começar a tocar material original. E aceitou o convite. No dia 7 de julho, nascia a banda, ainda sem nome.O baterista Gutje Worthmann, já era conhecido de Philippe — “mas só de vista”. Ele o tinha encontrado no show dos Metralhas, banda que tinha Marcelo Bonfá, futuro Legião Urbana, na bateria. Gutje tinha recém saído da Blitz64 e foi chamado para um ensaio na casa de Fê Lemos, também no Lago Norte. “Era na casa de Fê que rolavam os ensaios do Aborto”, lembra Philippe. O Aborto Elétrico tinha Renato Manfredini — futuro Russo — nos vocais, André Pretorius, como guitarista, além do próprio Fê, futuro Capital Inicial, na bateria. Pretorius era sul-africano, amigo de André, e considerado por todos como “o primeiro punk de Brasília”.O nome da bandaO grupo tinha surgido, mas ainda não nome. Estavam entre Os Zulus — do qual o logotipo seria o desenho de um africano cheio de anéis no pescoço esticado, que eles tirariam do rótulo do álcool Zulu — ou Plebe Rude. Os dois nomes haviam sido sugeridos por André. Optou-se, claro, pelo último. A origem do nome é interessante. Quando morava em Curitiba, André era acintosamente chamado por um tio, junto com irmão, de “plebe ignara”. O termo vinha do lendário jornalista Stanlislau Ponte Preta.Uma das características da Plebe — a irreverência e o sarcasmo — já podia ser notada. Desde que começou, a Plebe sacaneava todo mundo. Os três plebeus sabotavam os ensaios do Aborto, desligando a chave geral de energia do lado de fora da casa, para acender um minuto depois.Depois dos primeiros ensaios, a banda de Philippe, André e Gutje podia pensar em fazer seus primeiros shows. Jander Bilaphra, o “Ameba” só entraria no ano seguinte. Gutje e André dividiram os vocais nesse período, mas queriam alguém permanente na posição de vocalista. Foi então que chamaram Jander, que começava a andar com a turma.Mas a primeira apresentação ocorreu ainda sem Jander. Foi no Clube da Imprensa, ainda em 1981. A Plebe dividiu o palco com o Aborto Elétrico. Todos na banda estavam nervosos. Sem um afinador eletrônico — que nem existia na época — o trio acabou afinando o baixo muito mais alto, e a guitarra fora do tom normal. O resultado não foi dos melhores, mas mesmo assim, para as poucas pessoas que viram, a semente estava plantada.A seguir, a Plebe começaria a tocar por toda a cidade. Os shows geralmente eram compartilhados com o Aborto e a Blitx. A mídia começou a perceber que havia um movimento em Brasília quando as três bandas tocaram na Sala Funarte, hoje Sala Cássia Eller. Era final de 1981. E a TV Globo local cobriu o evento.Pouco tempo depois, quando o Aborto Elétrico encerrou suas atividades, em 1982, Renato começaria a tocar sozinho. Fazia os shows com voz e violão. Quando se apresentava com a Plebe, muitas vezes num espaço cultural no Lago Norte, que a mãe de Philippe, prefeita comunitária, organizava, os três plebeus se divertiam jogando moedas na frente de Renato, como esmola. Posteriormente, o cantor e compositor montaria a banda Legião Urbana. Nessa época, os dois grupos dividiam uma sala de ensaio, no Brasília Rádio Center, situado na Asa Norte.Depois de inúmeros shows nas ruas, em bares, e festas do Departamento de Arquitetura da UnB, onde André estudava, a Plebe se firmou como banda de respeito na cidade. Nessa época começaram a aparecer os primeiros fãs.Sem o Aborto Elétrico, André X, Philippe Seabra, Jander Bilaphra e Gutje assumiam o lugar de banda punk da cidade. ‘‘A Plebe Rude era a melhor banda da época. Em 1982 era ela quem mandava’’, afirmou Fê Lemos, em 1998. ‘‘Era a minha favorita’’, disse Renato Russo, em entrevista ao Correio Braziliense, em 1996.Ascenção e Queda de Quatro Rudes PlebeusA Plebe Rude foi a primeira banda de Brasília a ter o registro de um filme sobre si mesma. Isso só foi possível porque Gutje havia conseguido o patrocínio de uma loja de material fotográfico para um dos hoje lendários shows do Espaço Cultural do Lago Norte. Em troca de uma faixa atrás do palco com seu nome, a loja deu inúmeras caixas de filme Super-8.O baterista dirigiu então o média-metragem Ancensão e Queda de Quatro Rudes Plebeus, filme de 40 minutos que narra, em tom ficcional e irreverente, “a trajetória” da banda. A abertura do filme tinha takes individuais dos membros do grupo. O primeiro era Ameba. Helena, mulher de Gutje na época, aparecia no topo de uma escada perto da Catedral de Brasília, toda vamp, empurrando um corpo escada abaixo. A câmera se aproximava e em close revelava que o corpo era de Jander. André X surgia depois, numa construção abandonada ao lado do Venâncio 2000, vestindo uma capa preta. Gutje era apresentado saindo de um teatro cercado por fãs e dando autógrafos. E, para dar um toque menos sério, Philippe era apresentado saindo de uns arbustos, dançando balé num estacionamento.Narrado por Renato Russo, numa gravação feita em um take na sala de ensaio que os plebeus dividiam com a Legião, o filme tinha como trilha a própria Plebe tocando suas músicas. O processo de registro sonoro do filme consistiu na exibição do filme, que a banda assistia enquanto Renato, de improviso, narrava a história ao lado de um gravador.***Uma curiosidade. Quando o filme foi mostrado ao público pela primeira vez, o projetor não tinha a mesma velocidade do projetor que a banda usou na gravação. O resultado: as imagens estavam fora de sincronia do áudio. Mesmo assim, Ascensão… ganhou o prêmio melhor filme experimental do Primeiro Festival de Cinema Super-8 de Brasília. Infelizmente, a cópia original da fita de áudio está perdida.***Depois das apresentações individuais, o filme seguia com dois dos integrantes da banda se encontrando pela primeira vez com Jander. No TL velho — um primo da Variante, carro da Volkswagen dos anos 70 — de André, o baixista e Philippe surgiam numa tentativa de encontrar um vocalista. O cenário: a barragem de Brasília. Nesse momento, os dois vêem Jander. No banco da frente do carro, o cachorro de André, Shakey. Era ele quem, na ficção dos plebeus, segundo o roteiro do filme, fazia os vocais da banda. Shakey, contudo, logo seria substituído por um humano. Enquanto os três conversam do lado de fora do carro, Gutje aparece com um extintor de incêndio e descarrega um jato em cima de todo mundo. Com uma certa liberdade poética, nascia, aos olhos do espectador dessa versão cinematográfica, a banda Plebe Rude.Na seqüência do filme, a banda surgia em takes tocando ao vivo. Logo depois, surgia Renato Russo. Ele aparecia na casa de Philippe durante um ensaio, vestindo terno. Para esta cena, a banda, na fita original, gravou uma versão de A garota de Ipanema, mas cantando “Manfredo, Manfredo...” — uma brincadeira em cima do verdadeiro sobrenome de Renato: Manfredini. Usando óculos de aros grossos, Renato entra para assistir ao ensaio. Nas mãos, um cartão: “Manfredo, caçador de talentos”.Meio desconfiados, os integrantes da banda recebem o cartão, mas não se fazem de rogados e mandam algumas músicas. São surpreendidos pela reação do “caçador de talentos”. Renato começa a tremer com a música. E não pára. Fica tão envolvido com o som, que parece sofrer um ataque epilético, jogando-se no chão. Debatendo-se na sala de ensaios — na verdade, o quarto de Philippe — empresário rola no chão, cobrindo o corpo com um tapete. Quando a música termina, Renato se levanta, arruma o terno e sai, dando um contrato à banda.Pelo filme, descobre-se que a banda fica milionária. Os plebeus lêem a notícia que venderam um milhão de cópias do disco, comemorando com um banquete no gramado da casa de Philippe. Os quatro estão maquiados. Numa bandeja, é servida uma cabeça — que André chama então de “Cabeça de Lemos” — uma sacaneada nos irmãos Fê e Flávio, do futuro Capital Inicial. A cena corta para o final do banquete com a banda lambendo uma caveira, e com a mesa toda desarrumada, com garrafas de bebida vazias.O clímax, contudo, ainda estaria por vir. Enquanto a banda dorme, depois da comemoração, dentro da sala da casa de Philippe, Bernardo — irmão de André e vocalista do grupo XXX (pronuncia-se xisxisxis) e futuro líder da Escola de Escândalo — entra pela janela com uma máscara nos olhos. Um larápio que roubaria tudo. A banda acorda numa sala vazia. Para sobreviver, os quatro plebeus passam a trabalhar como garis no Eixão da Asa Sul. E assim encerra o filme.Sobre as gravações, na lembrança de Philippe, está a falta de paciência de Gutje, que perdeu a cabeça com o resto do grupo inúmeras vezes. “A gente não tinha saco para filmar”, recorda-se o guitarrista. Mas foi graças à insistência do baterista que Ancensão e Queda de Quatro Rudes Plebeus ganhou vida e tornou-se um documento que registra um dos momentos mais prolíferos da música pop brasileira.O rock de BrasíliaA estréia da Legião Urbana nos palcos aconteceu em Minas Gerais. O grupo de Renato Russo abriu para a Plebe em 1982, num festival de música em Patos de Minas, uma cidade que fica a várias horas de ônibus de Brasília. A grande banda alternativa da capital era a Plebe.Renato tinha sido chamado para fazer um show em Patos de Minas pelo produtor local Shaolin, mas como o Aborto tinha acabado, o cantor sugeriu que a Plebe fosse a atração, desde que a nova banda dele, a Legiao Urbana, abrisse o show. Assim, com apenas um ano de idade, pela primeira vez a Plebe tocava fora da capital.A contundência política das músicas Pressão Social e Vote em Branco, da Plebe, e de Música Urbana II e Que país é esse, da Legião, assustou a polícia local. Após o show, os integrantes das duas bandas foram detidos e interrogados. Como Philippe era menor de idade, com apenas 15 anos, a polícia queria saber por que ele estava ali. Depois do interrogatório, as bandas foram liberadas com a seguinte condição: teriam que partir no primeiro ônibus. Foi o começo de uma série de esbarros que a banda teria com a policia.Com o fim do Aborto, nesse meio tempo, os dois ex-integrantes Fê e Flávio Lemos, além de Loro Jones, ex-Blitx, montaram a banda Capital Inicial. Mais adiante, depois de algum tempo, os três chamaram Dinho Ouro Preto para cantar. Ele tomaria o lugar da simpática Heloísa.Em 1983, a Plebe Rude, a Legião Urbana e o XXX — a primeira banda de ska da cidade, formada por Gerusa, irmão de Loro Jones, e Bernardo Mueller, irmão de André, ambos futuros integrantes do Escola de Escândalo — e o Capital Inicial eram as quatro grandes bandas da cidade.“É claro que tinha bandas de mpb e pop — na linha da Cor do Som —, mas as quatro bandas detonavam essas fora do palco sempre que tocavam nos mesmos shows”, lembra Philippe. De fato, as bandas que conviviam em meio ao furacão punk brasiliense eram bem mais comportadas. Como o Mel da Terra, que tinha produzido um disco independente e ganhado as rádios locais com um hit — Estrela Cadente. A outra banda com projeção local era a Pôr do Sol. Bem, o nome de ambas já dizia tudo.Essas bandas passaram a se recusar a tocar com as punk por causa dos públicos, que não se cruzavam. Houve muitas vezes que a reação do público era tão sincera que saía porrada. Os grupos também reclamavam dos músicos punks, que os sacaneavam. Nem mesmo os metaleiros escapavam.“Uma vez, uma banda de heavy chamado Rock Fusão tocou depois da Plebe”, relata Philippe. “A gente queria ir embora, mas não podia, pois a banda estava usando o amplificador de baixo”. Durante o habitual solo de bateria dos metaleiros, a Plebe, na moita, desligou o amplificador e o levou embora, mas ficou para ver a cara espantada do baixista, quando a banda entrou de novo na música.Por um breve período, entre 1982 e 1983, na época da lendária temporada na ABO, a Plebe tinha duas meninas fazendo backing vocal. Uma era Marta Brenner, mais conhecida como Marta Detefon, com quem André iria se casar cinco anos depois. E a outra era Ana Galbinski, conhecida como Ana XYZ, namorada de Philippe, na época. As duas eram chamadas de plebetes.E não permaneceriam na banda. Há uma explicação para isso. Como a Plebe estava ficando mais conhecida em Brasília, e não queria correr o risco de parecer com a Blitz, banda carioca que já tinha estreado com o compacto Você não soube me amar, Marta e Ana foram “gentilmente” convidades a sair do grupo. Logo em seguida, a Plebe começou a tocar em São Paulo e eventualmente, em 1984, fez a sua estréia fulminante no Circo Voador no Rio.“Rumores falam em guerrilha”A primeira vez que a Plebe desceu para São Paulo, foi para tocar na última noite no antro punk, o Napalm, que estava a beira da falência. Fernanda Pacheco, na época empresária da Legião e que hoje é mulher de Dado Villa-Lobos, marcou o show e conseguiu encaixar a banda na noite anterior no lendário Rose Bom Bom. Um cartaz espalhado pelos locais especializados em rock, em São Paulo, anunciavam o show da Plebe como uma banda “new wave” de Brasília.Na noite seguinte, no show do Napalm, João Gordo, dos Ratos do Porão, e Clemente e Ronaldo, dos Inocentes, que já haviam ouvido a falar da banda, estavam lá para ver qual era. Anos mais tarde, João confidenciou à banda que eles eram o único grupo do mainstream brasileiro que respeitava. Com a rivalidade entre os punks e playboys em SP, naturalmente depois do show houve um quebra. A briga foi tão grande, que até o valente Jander se abrigou atrás do palco. Houve rumores que alguém tinha sido morto. A reação do público assustou os plebeus. Tal confusão era muito distante do movimento benigno que caracterizava a cena de Brasília. (André X fala mais sobre esta ida a São Paulo - leia aqui – link)Alguns meses depois, numa noite que talvez entrará para a história do rock nacional, na casa noturna Village, a Plebe abriu para o grupo Ira!, que estava lançando o seu primeiro compacto, Pobre Paulista. Charles Gavin, hoje baterista dos Titãs, ainda era membro do Ira!, e emprestou a bateria ao Gutje. O plebeu nunca tinha tocado com tantos pratos, mas não hesitou em usar todos. Um mês depois, a banda tocou com os Inocentes (a banda paralela de Clemente) e rodou todo o underground paulista, tocando várias vezes no Rose Bom Bom, no Madame Satã e até na Danceteria Tifon.Como todos estavam no colégio, e André na faculdade, era preciso regressar a Brasília de ônibus comercial, logo em seguida aos shows. Uma viagem de 16 horas. “Não existia cachê nem perspectiva de gravar sequer um compacto, e a banda ficava na casa de amigos”, lembra Philippe.Em 1983, a Legião foi tocar pela primeira vez no Rio no mesmo final de semana do show intitulada 1984, em que Plebe, Capital e Escola de Escândalos montaram no Sesc, na Asa Sul. No Rio, Os Paralamas do Sucesso já tocavam a música Química. Talvez, por isso, a Legião foi muito bem aceita. Pouco tempo depois, quando surgiu a primeira oportunidade para a Plebe tocar no Rio, não pôde ir. Em julho daquele ano, no segundo aniversário da banda, Philippe foi passar um mês nos Estados Unidos com seus irmãos. Iria para ver se gostava, na perspectiva de se mudar para lá depois de concluir o segundo grau, o que os seus dois irmãos fizeram. Alex, Philippe e Ricky nasceram lá. Só que Philippe não gostou muito. Foi a primeira vez que tinha voltado desde que se mudou de Washington para Brasília aos 8 anos de idade. Em 1983, ele estava com 16 anos e não conseguia se ver morando lá. Ainda mais sem a banda. Na volta, a Plebe desceu para o Rio.Foi uma noite histórica no Circo Voador, no Rio. A casa estava cheia e os Paralamas estavam curtindo o recém sucesso de “Óculos”. A Legião, ainda sem disco, estava começando a arregimentar fãs. E todos na platéia pareciam ter ouvido falar da Plebe. Uma demo tocava na Rádio Fluminense, com a música Dança do Semáforo, com os vocais das Plebetes ainda e nunca regravado pela banda, além de Sexo e Karate. O até então desconhecido repertório do Concreto já rachou foi tocado na íntegra, mais as músicas Censura, Vote em Branco (só regravada pela banda no disco Erre ao contrário), Tá com nada (gravado pelo Detrito Federal, nunca pela Plebe) e uma versão de Electric Co., do primeiro disco do U2, que havia sido recém lançado. A Plebe foi muito bem aceita. Logo após a apresentação, Philippe saiu pela arquibancada distribuindo folhetos, com letras, fotos e informações sobre a banda. A Plebe comecou a transitar entre o eixo Rio-São Paulo chamando muita atenção e, conseqüentemente, os shows lotavam cada vez mais.A Legião finalmente chegou ao primeiro disco e com o seu sucesso, Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Renato Rocha e Marcelo Bonfá se mudaram para o Rio de Janeiro, abrindo as portas para a Plebe. Enquanto isso, o Capital Inicial foi para São Paulo. Em Brasília a turma continuava a crescer com as bandas Finis Africae, Detrito Federal, Elite Sofisticada — uma brincadeira em cima do nome da Plebe Rude — e Escola de Escândalo.Para ler em detalhe sobre essa época, clique aqui na matéria do Correio Braziliense, A turma da Colina. Para ver fotos raras da Plebe clique aqui.O discoDepois de muita insistência de Herbert Vianna e de Renato Russo, a EMI contratou a Plebe Rude para gravar um disco. A promessa é que, se a banda tivesse êxito, o contrato seria estendido. Foi um investimento sem risco algum para a gravadora, que também tinha os Paralamas e Legião como artistas contratados.Com produção do Herbert, a primeira dele, a Plebe foi incluída no pacote de novos artistas, junto com Zero e Musak, ambas de São Paulo, e uma banda deplorável do Rio: Lado B. O conceito estratégico brilhante da EMI era este: para testar bandas, a gravadora lançaria, sem investimento nem divulgação especial, um mini LP. Era o tamanho de um disco normal, mas com apenas seis músicas. Por conter menos faixas, o preço seria mais barato. Mas como o Brasil é o Brasil, os lojistas, sem hesitação, venderam os discos pelo mesmo preço de álbuns convencionais.Por causa do nome que a Plebe Rude tinha no Rio antes de ser contratada, após inúmeros shows no Circo Voador, Mamão com Açucar, Danceteria Metrópolis, Morro da Urca e Mistura Fina, as músicas começaram a tocar na rádio. Mais pela demanda popular. E o disco começou a vender.Como o título do disco foi tirado da música Brasília, que originalmente não estaria entre as seis músicas escolhidas, a banda conseguiu que a gravadora a incluísse. Foi o único Mini LP com sete faixas. A banda teve que lutar para conseguir um encarte simples. Com a intervenção de Herbert, os plebeus conseguiram convencer os executivos da EMI que as letras das bandas de Brasília eram importantes. Mas, claro, o encarte foi impresso no papel mais vagabundo. A foto da capa foi tirada numa casa abandonada, que alguém na EMI conhecia de um video clip de um artista brega. A banda foi lá com o fotógrafo Flávio Colker. Pouquíssimas fotos foram tiradas. Por sorte e pelo talento de Colker, uma delas ficou genial e virou a capa. Pouco tempo depois, a Plebe voltou para o mesmo local para gravar o clip de Até Quando Esperar.O bochicho começou. E a EMI começou a perceber que a Plebe Rude era um nome forte. Marcelo Nova, do Camisa de Vênus, falou bem do disco na TV Globo. Herbert sempre falava em entrevistas sobre as super bandas de Brasília. Apesar dos Paralamas não terem começado em Brasília, o Herbert e o Bi moraram lá e as vezes são incluídos como músicos da cidade. A Legião, já tomando o país de assalto com a música Será e Geração Coca Cola, não só falava sempre da Plebe, como o próprio Renato assinou o press release do disco.O show de lançamento ocorreu no Teatro Ipanema, no Rio, junto com Zero. Foi fulminante. Depois, em fevereiro de 1986, o grupo fez o seu primeiro show solo, em duas noites lotadas no Morro da Urca, na casa Noites Cariocas, onde já tinham tocado dois anos antes. A Plebe veio para ficar e, eventualmente, os plebeus tiveram que se mudar para o Rio, durante a Copa de 1986. Na verdade, a mudança veio um pouco contra a vontade da banda, mas a distância do Rio e de São Paulo estava irritando a EMI.A Plebe apareceu em todos os programas de TV obrigátorios da época: Fantástico, Chacrinha, Clip Clip e até concedeu uma entrevista com o Clodovil. Aqui, vale a pena contar o episódio.***Os quatro estavam extremamente sem graça na presença do costureiro, coisa rara para os plebeus sem medo de dizerem o que pensavam. Clodovil começou a brincar com o grupo, dizendo que eles eram tão punks, mas na verdade eram umas “graçinhas”. A banda ficou mais sem graça ainda. Clodovil virou-se para Philippe e perguntou: “Sua família é do Pará?” Ele reconheceu um sotaque indireto paraense debaixo do leve sotaque americano que o guitarrista tinha — e tem até hoje. Aí, olhou para os Plebeus, e perguntou: “Porque vocês estão tão quietos? Vocês acham que eu sou uma bicha velha?” Todos da banda se seguraram para não explodir em risos, mas ninguém falou nada. Bem comportados, afinal.***Os quatro plebeus botaram o pé na estrada e passou a se equipar. Gutje comprou uma bateria Tama e Philippe, o amplificador Marshall de Herbert, o mesmo que usou durante a gravação do disco. Jander mandou fazer uma guitarra em Brasília. E André comprou um amplificador Marshall de baixo de Bi Ribeiro, do Paralamas.Polêmica no rádioA Rádio Transamérica chamou a Plebe para tocar no primeiro programa “Chá das Cinco”, que juntava várias bandas tocando ao vivo. Junto com os plebeus, a banda Zero. Banda de São Paulo liderado por Guilherme Isnard, chamou Philippe e Gujte para fazerem o backing vocal do hit Agora eu sei, mais precisamente a parte de Paulo Ricardo, que dividia os vocais na música.Cantando roucos, imitando o vocalista do RPM, quando chegaram na parte “O que me traz de dor”, Philippe cantou no ar ao vivo para todo o Brasil “Isso atrás, que dor…” Guilherme ficou possesso e queria bater no guitarrista, alegando que a vó dele estava ouvindo.Mas o que chamou mais atenção daquele apresentação foi a versão funk de Proteção, a primeira de inúmeras versões da música, que a banda tocaria nos anos subseqüentes com a inclusão de Bichos Escrotos, música do recém-lançado disco Cabeça Dinossauro, dos Titãs. A música tinha sido censurada por causa do palavrão no refrão. Foi a primeira vez que a musica foi ao ar em cadeia nacional, e quando chegou a hora do refrão, com toda a executiva da Transamérica e os divulgadores da EMI com os cabelos em pé, assustadíssimos, Philippe, de improviso, mudou “Vão se fuder” para “Vão tomar banho”. Esta versão de Proteção estourou e alavancou em muito as vendagens do disco O Concreto Já Rachou.Depois do show de lançamento do disco Cabeça Dinossauro, Philippe foi para o Baixo Leblon de carona com várias pessoas, entre elas Branco Mello, vocalista dos Titãs. De repente, a versão tocou na rádio e ele deu a maior bronca em Philippe, dizendo que eles peitaram a censura e não era para modificar.Philippe acabou pagando por aquele instante de decisão de não causar um tumulto, multa ou até notificação pela Polícia Federal para a rádio Transamérica, mas pouco tempo depois, a musica foi liberada e virou um dos maiores sucessos dos Titãs. A Plebe tocou essa versão, com o palavrão — devidamente bipado — numa apresentação para a TV Globo, no programa “Clip Clip”. A música tomou as rádios de assalto.As criticas elogiosas ao lançamento de O Concreto Já Rachou se acumulavam e o disco vendeu cem mil cópias. A Plebe tinha um Disco de Ouro, nas mãos. As rádios executavam de maneira maciça Até quando, Minha Renda e agora, Proteção.Shows lotados ocorreriam em capitais como São Paulo e Salvador, no lendário Teatro Salvador, onde o público chegaria a derrubar o portão de entrada.Tudo corria bem, mas numa ação, sem dúvida punk, a banda se recusou a receber o Disco de Ouro no Chacrinha. Isso era comum a todos os artistas nacionais, naquela época. A Plebe Rude preferiu receber o disco das mãos de Faustão, que então apresentava o programa semanal na TV Bandeirantes “Perdidos na Noite”, que tinha mais status de cult do que Ibope.A EMI não gostou nem um pouco. As apresentações da Plebe no programa, sempre exibido de São Paulo ao vivo para todo o país, eram fenomenais. O próprio Faustão, longe de ter a fama e poder que tem hoje, confidenciava à banda que eles eram um dos artistas preferidos de sua platéia. Conseqüentemente, poucas pessoas viram a entrega do disco. E menos ainda sabiam que a Plebe conseguiu um Disco de Ouro. Começava a difícil relação da Plebe Rude com a EMI.Herbert Vianna disse à banda, anos depois, que eles realmente eram punks, mas eram burros. O ano era 1987. O concreto tinha rachado.
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apenas um estudante sem dinheiro no bolso e morador da periferia
brasil - um tema recorrente
"superação ou ainda somos uma colonia?"
não.não é dificil identificar na historia deste pais a subordinação á qual se encontra ao longo dos séculos na formação estrutural-base da economia,que intrisecamente é a fundamentação primeira da exploração e ao longo dos tempos é o que se observou como unico interesse da metropole-imperialista Portugal - uma nação parasitaria,Inglaterra,NO SECULO XVIII e XIX e EUA principalmente nos anos 20 e 30 do seculo passado.Ai,eu deixo um questionamento;não ser essas nações imperialistas também parasitas?claro que não na mesma proporção que portugal,mas,colocando a discurssão de que elas se valiam das mesmas artimanhas exploradoras e mais expoliadoras e expropriadoras...o observavel é que este gigante pais formou-se como colonia de exploração,voltado com todos os seus "interesses"para satisfazer a saciedade parasitaria metropolitana.O que não mudou,mas se aprofundou com a nossa "dita" ...liberdade economica...pois, acontadição do sistema acabou se entrenhando a nossa formação politica - de um lado "informalmente" nos tornamos sede um imperio,doutro economia subordinada e presa totalmente aos interesses dominantes da inglaterra.Ai vem a independencia politica,uaU!Um jogomuito bem arquitetado pelas cabeças britanicas... aié um ciclo imperial inteiro de vergonhas e humilhãções e cala boca geral no povo..."pau neles!" uma economia ainda mais voltada para as culturas de exportação.ou seja,tudo o que interessa é o algodão,o açucar.o café...o mais é mero vulgar mas não é so...temos a republica,com todos os eus antecedentes...mais um plano e puf...que bicho é esse? republica..nome bonito...democracia...hummm....ai,eles vem com tudo...é o capital ingles todo entrando com tudo e muio mais,,,umas estradas de ferro ali,outras acola..."é preciso organizar as bases estruturais desse pais...investir,ou seja....atar os alicerces fundamentais...paranão se desgarrarrem de nós....ainda eramos uma colonia..humm...mas uma colonia de exportação independente....estamos inseridos na nova ordem mundial.....rummm....anos 30.....o começo do começo;;;;a industrialização...tardia.....é assim....a gente da mao....eles querem o braço....nan nan nin nan não.......industria de base,mas com a nossa base ,com a nossa tecnologia....e é preciso afastar o perigo comunista..os interesses da nação são os interesses do povo....o brasil é um filho obediente
Postado por BLOG provocações! às 17:13 0 comentários
É SÓ MAIS UM POEMA...
AGORAagora os olhos estavam cheios...sujeira urbanapoeira da cidadebagunça orquestrada pelas buzinas e rumores de uma expectativa no atrasoNÃO...não somos mais nós os mesmosnunca fomosnuncanão sabemos quem somosnão nos reconhecemosuma simples atitudeum gesto normalcaimos na real....agora os olhos se perdem num vazio incrivelabsurdamente naturalessas pessoas que não queremos observaresses olhos que não queremos veressa carne que não queremos tocarcertamente ....estamos perdidos em meio a tantas mercadoriasclaramente o cartaz diz que é possivel se encher de quinquilhariase assim,a felicidade vai bater a sua portae o fim,agora você descobre que não é mais pessoa...sem identidade,sem pertecersem se conhecersem nada....MORTASE MORRE SE MATAMOS AOS POUCOSSE apagamos,nos enganamos por pouco...nem que fosse por muitoo melhor deve ser descobrir que não somose o que somose o que sentimose o que queremosnada?
Postado por BLOG provocações! às 17:01 0 comentários
Marcadores: antonio viana - o provocador
a poe sia
Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008 estão por aicaminhando indecisasessas gentescom suas cabeças cheias/váziascom seus celulares tocandoé uma voz que chamaé uma vozmas não importavocê esta atrasadovocê precisa de dinheiroe eles precisam de vocêla vai elecom as mãos limpasde tanta aguamas a sujeira não saio teu corpo se irritae então mais um comprimidoe então mais uma porrada na caramais uma vez deprimidode que vale tanta parafernaliade que vale o seu bom sensose já está com os dias contadoso tempo passao tempo vai rapidoe ficamos perdidosjogados de ladocomo peças velhas e sem usonõa adiantanão dáé um grande sufocoe por pouco não desistiu de tudomais um lhe empuramais um com a cara feiaeles também são amestradoseles são mais que issocaminham dando voltasaté um dia cansaramficarem tontos de vez e cairem
mais poesia
não estou disposto
NÃO ESTOU DISPOSTOSABEMOSE SE NÃOCOMO VAI SERCOMO SERÁSE AINDA NÃO ÉPALAVRAS EM VÃOPALAVRAS AO VENTOPALAVRAS SEM FÉE NADAOU QUASE NADASE AINDA PODEDEVEE NÃOOU MAISOU O QUESE AINDA CHOVESE AINDA SOLSE PALAVRAS SURGEMSE NAVEGAMCOMO BARCOSPELA IMENSIDÃOTÃO PERDIDOS QUANTO NÓSTÃO ENCAIXADOSAO REALREALISMO SECODA BEBIDA QUE NÃO NOS LIVRADE ACORDAR CEDOOU DE NÃO ACORDARDE NÃO SER CONCEBIDOE SE EU TIVESSE BEBIDOESTARIA MAISESTARIA O MESMOE SE EU FOSSE EBRIOSEMPREA REALIDADE ME SUFOCARIA MENOSOU QUASE NADANADA OU ENTÃOEU SUPORTARIAESSAS PALAVRASCOMO UM BEIJOOU UM SOCOUM SUSPIROE MAIS UM COPO OUDECLAMARIA PALAVRÕESRASGARIA OS PADRÕESESCANCARIA OS PORTÕESSUJARIA O CORPOCOM OUTRO CORPOPRA SER LIMPODE NOVO OUMAIS SUJO MAISMAISE FUJOPELAS PaLAVRASNÃONÃONÃOESTOU DISPOSTO
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
provoque
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007BLOG provocações!O blog provocações! É um espaço real de divulgação de pensamentos, idéias, opiniões, análises e principalmente questionamentos e propostas para uma humanidade nova em equilíbrio, em harmonia com o meio-ambiente e em sintonia com suas atitudes. É a afirmação de que o caráter humano pode ser realmente humano e não-lógico como nos forçam assimilar, colocando-nos em lados opostos, individualizando-nos como adversários, tornando-nos vazios numa desproporcional ânsia de consumismo, inertes sem participação ativa nas escolhas que deveríamos tomar para nós e para o conjunto coletivo.PROVOCAÇÕES! É afirmar a reflexão como ponto principal de se pensar não - logicamente, buscar compreender a lógica para começar a construir uma antilógica e entender a lógica como produção do ser humano e como tudo que é construído pela humanidade, é superável... Já que essa lógica está a serviço do capitalismo e não há como separá-la do sistema já que ambos se autocompletam.Por isso é importante PROVOCAR! É catar dentro de nós os pensamentos lógicos, as atitudes lógicas que nem percebemos que são normalizadas ao ponto de parecerem que nascem assim e assim serão eternas! É preciso PROVOCAR! Identificar a lógica do sistema que serve a alguém e a alguns... E estes nos colocam a lógica e nós entendemos que ela é necessária para continuarem com os absurdos que se contradizem... E achamos normal e impossível mudar esse estado de coisas...Quem sabe o primeiro passo você já não deu há muito tempo e nem se deu conta. PROvoCANDO! Você deve dar um passo a mais! Então, PROVOQUE! Identifique à lógica, compreenda a lógica, conheça a lógica e não apenas assimile-a... Assim, você saberá visualizar a estrutura do sistema. Por tanto poderemos romper com isso... Vamos à anti-lógica! Provocai! PROVOCADORES!Postado por BLOG provocações
NÃO fosse essa chuva
mas não,lá vem essa chuva e todas as suas consequencias...é quando de repente por exemplo
um barulho grande daqueles me enfia debaixo de um medo sem tamanho,ai que medo e não da mais,eu choro como uma criança,uma criança e ainda mais tão desprotegida,sem ninguém por perto pra me ajudar,sem um olhar ao menos negativo me dizendo; - "mais que menininha boba,com medo de um trovãozinho a toa"...
É sempre assim quando a chuva vem,eu fico toda medrosa,ainda mais quando é uma chuvona dessas assim inxirida e danada,ai que chuva incompreensivel não sabe que todos nós solitários da noite somos tão desse jeito...crianças sem amparo,sem um braço forte que nos dê segurança...
Essa chuva toda bem que devia saber que nós os sozinhos somos criancinhas mimadas cheias de dengo,que por qualquer coisinha pequena saimos por ai desesperados gritando,esperneando ajuda...pedindo perdão a Deus pelos pecados passados,presentes e os que ainda virão...
Ah! essa chuva só pode ser também assim como eu,uma criancinha,mas só que essa chuva é uma criança,mas dessas mal criadas.que apavoram a vizinhança com os seus rebuliços e as suas marmotagens.
Sinceramente,bem que ás vezes eu gosto da chuva,apesar de ela ser uma garota encrenqueira e chata,até que me tras um momento importante do tempo em que eu era uma menininha que não podia se queixar da felicidade,das brincadeiras,da minha vó,do meu "vozim",das minhas primas,de tanta gente que eu deixei pra traz naquele lugar que agora nesse momento aterrorrizante mas ao menos por essa recordação me devolve por essa noite um pequenino aconchego...não é todo aquele universo de alegria que me dar tanta saudade mas é uma lembrança.e é exatamente com essa chuvinha chata,essa garotinha "doidinha" que eu volto ao menos em alguns instantes a ser aquela menininha que tinha por todo lado pessoas em que eu podia confiar...totalmente diferente desse mundo que vivo com as preocupações,as angustias,o medo maior ainda das coisas que conheço, mas nunca se sabe se são confiaveis mesmo,porque não se tem mais a certeza de uma menina que era abraçada ao menor ruido de trovão com aquelas palavras compreensiveis... -"dorme meu bem que já essa chuva malvada passa e amanhã vai ser um outro dia lindo...e não esqueça que amanhã tem aula..."
É QUANDO EU ENCONTRO o meu refugio,meu mundo mais proximo daquee que sei que não volta "nunquinna"...é como se fosso hoje,eu ainda escuto aquela vooz,"dorme meinina,dorme vai meu bem que a chuva já vai passar..."É ! E amanhã eu tenho mais um dia de trabalho!
maisum
olha que o vento é suspeito e até não tem jeito o beijo que você me deu não dá mais olha que o medo é feito de um nó no peito foi assim que aconteceu não dá mais as horas marcam os passos não dá mais já colocaste os laços em mim bem feito sou assim foi só eu abrir os braços não teve jeito sim sim sim eu te amo eu te quero te proponho um belo por do sol uma noite com ou sem estrelas e nos sonhos não me espere muitos beijos me beije logo e assim assim juntos ficamos